Quinta-feira, Janeiro 15, 2026

FILIPE ZAU: “SOMOS UMA NAÇÃO EM CONSTRUÇÃO E A CULTURA JOGA UM PAPEL FUNDAMENTAL”

A cultura joga um papel fundamental na construção do indivíduo.

Por: apostolado
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EM MALANJE SUPOSTOS SOBREVIVENTES DO MASSACRE DA BAIXA DE CASSANJE CONTRARIAM DIRECTOR PROVINCIAL DOS ANTIGOS COMBATENTES, SOBRE INEXISTÊNCIA DE HERÓIS VIVOS.

A greve da Baixa do Cassange, também chamada de revolta de Mariano e guerra de Maria, foi uma greve laboral considerada o primeiro movimento político que deflagraria a Guerra de Independência de Angola exatamente um mês depois e a Guerra Colonial Portuguesa ao longo dos três anos seguintes nas províncias ultramarinas portuguesas.

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ASSOCIAÇÃO PARA CIDADANIA E ENSINO DE QUALIDADE DISTINGUE E HOMENAGEIA AGENTES DA EDUCAÇÃO E CULTURA COKWE.

A Associação para Cidadania e Ensino de Qualidade (ACEQUA) destinguiu e homegeou este sábado, 2, os agentes da educação que mais se têm dedicado nos últimos tempos.

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MORREU VICE-DECANO DA FACULDADE DE ECONOMIA DA UAN

O professor Doutor Domingos Mpangu Lucília foi docente da Faculdade de Economia da UAN (FECUAN), onde com zelo e dedicação contribuiu para o desenvolvimento do Ensino e Investigação Científica.

Por: apostolado
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TERCEIRA EDIÇÃO DA BIENAL DE LUANDA ARRANCA HOJE COM FOCO NA EDUCAÇÃO E JUVENTUDE

Durante ainda os três dias, o fórum vai contemplar uma exposição de artes, a actuação de um grupo nacional de dança Sassa Cokwe e momentos de artistas de música gospel.

Por: apostolado
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MARIA EUGÉNIA NETO: “ESTAMOS TODOS DE PARABÉNS”

Maria Eugénia da Silva Neto (Montalegre, 8 de março de 1934) é uma escritora e jornalista luso-angolana, primeira ocupante do posto de primeira-dama angolana.

Por: apostolado
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AS VIDAS E MORTES DE CHIVUKUVUKU, POR AGUALUSA

Contam-se vários episódios em que Abel saiu vivo por “milagre”,

Por: apostolado
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Em vésperas do Dia da Cultura Nacional, o ministro da Cultura e Turismo, Filipe Zau, concedeu uma entrevista ao Jornal de Angola, na qual aborda a dimensão histórica da efeméride, destaca o valor da cultura na construção do indivíduo e enumera alguns projectos a serem concretizados no sector. Entre as novidades, Filipe Zau adiantou detalhes da exposição a ser inaugurada hoje, às 11h00, no Arquivo Nacional, que reúne peças de marfim recuperadas no exterior do país

O país assinala hoje, 8 de Janeiro, Dia da Cultura Nacional. Que simbolismo representa a data nos tempos actuais?

 

Antes de mais, devemos entender culturalmente o país em que estamos. Somos um país multicultural com vários grupos societais, também conhecidos como etnolinguísticos, e um país plurilinguístico. Quer dizer que cada uma destas culturas tem uma personalidade própria e, portanto, ela se afirma por si só enquanto cultura e possuidor de uma língua específica. Portanto, é plurilinguístico com a afirmação destas culturas num todo. Contudo, a cultura nacional é o reflexo de todas estas culturas dentro do espaço territorial onde nós estamos, o Dia da Cultura Nacional reflecte de certa maneira um aspecto que me parece que é extremamente importante, na medida em que, para além do discurso do primeiro Presidente da República, é ele próprio um ícone da literatura angolana e o nosso Poeta Maior, sobretudo após a edição da obra Sagrada Esperança. Uma esperança que tinha a ver com toda uma aspiração de autonomização não só do país, mas da afirmação das suas próprias culturas, não apenas de uma, mas de todas as culturas. Ele levou realmente à União dos Escritores Angolanos nesta data em que os corpos sociais foram eleitos, onde fez um discurso a valorizar o papel e a importância da cultura no desenvolvimento da nação e do próprio país, tendo em conta que a própria cultura, para além do seu factor de identidade, também tem o seu papel de participação do bem-estar social e na economia do país através do desenvolvimento das indústrias culturais e criativas, que também participam de todo um processo que contribui para a receita do país.

 

As consequências da colonização são muito sentidas na cultura. É um dia que nos remete a esta reflexão?

 

Devemos dizer que somos uma nação em construção, e a cultura joga um papel fundamental, porque grande parte dos países em África foi traçada pela Conferência de Berlim, em 1884 e 1885, praticamente com régua e esquadro. Portanto, as nações pré-coloniais acabaram por se inserir de acordo com a vontade das potencias coloniais da altura e nós hoje herdamos isto, e as independências dos países respeitaram os traçados fronteiriços das antigas potências coloniais que também não auscultaram de maneira nenhuma as populações que já existiam de modo que todas estas culturas por si só se submetem a uma outra identidade politica que é a nação. Daí a Nação Angolana ser formada por um conjunto de grupos etnolinguísticos societais que formam as culturas nacionais e outras que são transnacionais, reflectida nos países vizinhos. Contudo, a luta das independências criamos os estados e são estes que agora têm que construir as nações, e ao construir a nossa nação é necessário que ela exista porque estado sem nação soçobra. Então, esta é a importância do Dia da Cultura Nacional. É uma afirmação das identidades culturais existentes no nosso país, dentro do mosaico cultural que pertence todo ele a uma mesma nação que se submete por si só a uma identidade politica que é aquela que chamamos a nossa angolanidade, que a acaba por ser simultaneamente uma identidade politica, mas também um sentimento de cultura nacional. Por exemplo, o indivíduo que está em Cabinda ou Moxico pode não conhecer quem está no Cunene ou Luanda, mas sabe que lhe pertence. É este o sentido de identidade que a angolanidade abrange e que ganha automaticamente o mesmo sentido enquanto identidade politica, mas que não perde pela lógica da interculturalidade que é algo que temos de desenvolver através da formação e educação no sentido de pertença.

 

O discurso do Presidente Agostinho Neto, em 1979, originou este dia. Como interpretamos a sua mensagem actualmente?

 

O discurso do Presidente Agostinho Neto foi extremamente importante na medida em que tem um conceito que nós podemos chamar de endogeneidade, e quando falamos nela olhamos automaticamente nas nossas tradições, as nossas línguas africanas e necessariamente também não deixamos de olhar para a língua portuguesa, visto que a maior parte dos escritores que nós conhecemos escrevem em língua portuguesa. As línguas, do ponto de vista patrimonial, não têm dono, porque é de quem as fala. Neste sentido a língua portuguesa também nos pertence porque somos usuários e locutores desta mesma e também das africanas que estão aqui. Então, penso que a interpretação deste discurso é olhar para as tradições sim, para as nossas línguas, e a necessidade de as promovermos como identidade cultural, mas não perder o sentido da modernidade. Penso que isto era a grande preocupação, olharmos para aquilo que nos identifica, mas não perder o sentido da modernidade que também temos, alguma noção de alteridade, o outro que é diferente de mim e que eu só conheço quando no confronto com o outro tiver a possibilidade de fazer esta diferença.

 

A cultura joga um papel fundamental na construção do indivíduo…

 

Penso que o nosso caminho, no futuro, é que este dia possa ser um de reflexo para sermos educados para o sentido de pertença. Sermos educados para a alteridade, para a convivência pacífica com outro e para a diferenciação do que é meu e o que é do outro. Também para o ecumenismo no sentido das diferentes religiões em todo o mundo e que têm de conviver de forma pacifica.

 

Qual é a programação do acto central?

 

Será em Luanda. Nós estávamos para fazer no Huambo mas foi alterado. A gala da tradicional entrega de certificação vai acontecer no HCTA. Serão contemplados aqueles que eu chamo até hoje de “operários da cultura”. Não gosto da expressão “fazedores de cultura”. Por exemplo, o compositor é um operário ao trabalhar com as letras e os sons. Portanto, é um operário, como é o artífice, o escultor, o artesão, ele molda o som. No meu entendimento isso não é bem o fazedor de cultura, o operário para mim tem mais o sentido do criador, do inovador, porque a cultura tem o sentido dinâmico, resultante do dinamismo cria inovação, a novidade dentro da própria cultura. Por isso, vamos certificar aquelas pessoas das diferentes áreas que nos pareceram que fizeram um trabalho bom. Não será possível reconhecer todos.

 

Uma fonte garantiu que vai ter três momentos, designadamente no Palácio de Ferro, depois uma exposição muito importante no Arquivo Nacional com peças recuperadas em museus no exterior e a gala…

 

O Dia da Cultura Nacional não pode só ser para comer e beber, porque serve essencialmente para promover e divulgar a cultura no seu todo. Não é reduzido apenas à lógica da recreação. No Palácio de Ferro vamos ter uma exposição alertando a importância da cultura no nosso dia a dia. Porque quando falamos de educação para o desenvolvimento nós temos três aspectos: primeiro a educação para o trabalho, ou seja, todos nós devemos ser educados para a actividade laboral. Segundo a educação para a cultura, a noção de sentido de pertença, alteridade, ecumenismo, vivência, valores de referências, de patriotismo, de sentido estético e épico. Tudo isto se enquadra num indivíduo que podemos considerar de culto que deve ter todos estes requisitos. Outro aspecto é a cidadania, o exercício pleno. Então, este tripé é que concorre para os fins de uma educação.

 

E o que teremos no Arquivo Nacional de Angola?    

 

Por haver museus que ainda estão a ser recuperados e melhorados, é uma exposição de um conjunto de peças que estavam no exterior e fomos recuperá-las em alguns países da Europa e que agora vão fazer parte do nosso acervo museológico, de onde saíram indevidamente. Nós estamos a dar um sinal de acordo com a nossa politica nacional e, com as recomendações da UNESCO, estamos a ir buscar e recuperar aquilo que nos pertence. A própria UNESCO recomendou que o acervo deve ser devolvido porque nós também temos museus. Dizem que nós, africanos, não temos condições para receber aquilo que é nosso, o que parece que eles não conhecem de facto os nossos países. E quando não temos, sabemos criar as condições indispensáveis para termos aquilo que nos pertence e respeitamos necessariamente o nosso sentido de alteridade.

 

Quantas peças foram recuperadas?

 

São cerca de cem peças de marfim e, curiosamente, uma cadeira do século XVII ou XVIII. Devo dizer que nós próprios, por apoio enorme do senhor Presidente da República, João Lourenço, fomos a um leilão comprar peças que precisamos, mas que tinham saído do país legalmente. Nós estamos a criar museus e para isso devemos ter o nosso acervo. Lá fora há peças que saíram legalmente e outras que estão em museus e que estamos a solicitar a sua devolução, isto por recomendação das Nações Unidas, nomeadamente pela UNESCO. Não estamos a pedir nada a mais, apenas que haja o princípio da horizontalidade das relações que os diversos países devem proporcionar. Este retorno das peças que são nossas é um sinal de que estamos a dar. Estamos envolvidos neste movimento, a trabalhar com uma organização de pessoas que nos está a ajudar neste sentido do contacto com os diferentes países para a recuperação de peças que nos pertencem. Sabemos que a Bélgica fez uma devolução de um acervo para o Congo e nós, neste momento que Mbanza Kongo é Património da Humanidade, estamos a ver para o Museu dos Reis, que será erguido naquela histórica cidade. Portanto, estas são as razões também para um outro museu que vamos construir, neste caso o Museu da Resistência.

 

Fale-nos um pouco do que será o futuro Museu da Resistência…

 

Vai desde o contacto que tivemos de resistência à colonização e ocupação estrangeira, de acordo com as nossas fontes, podemos dizer desde 1482 até possivelmente a saída dos sul-africanos. Vamos enquadrar, estamos neste momento a trabalhar nos termos de referência e equacionar todo o projecto do Museu da Resistência, com apoio do Presidente da República para este trabalho como vamos ter também. Para além do Centro Cultural do Huambo que vamos inaugurar agora estamos também a trabalhar no nosso Centro Cultural de Luanda

 

Um dos desafios deste ano é inscrever o semba na lista do Património Mundial. Como está este processo?

 

Já veio um representante da UNESCO que trabalhou juntamente com o Carlos Lamartine, Dionísio Rocha, Marito Furtado (Banda Maravilha) e o Instituto do Património Cultural. O dossier está a avançar, mas já perguntam pela kizomba. Qual é o mais antigo e tem maiores referências? É e por aí que temos de começar. Quantas pessoas estão a escrever como deve ser e reconhecidamente? Vejamos o livro do Carlos Lamartine, ajuda a trabalhar em estudos correctos e referências correctas sobretudo para que os próprios indivíduos que vêm da UNESCO que entendem as coisas cientificamente. Não porque acho ou digo, mas é preciso que nós na nossa vida passemos a separar o que é opinião e o que é ciência, porque muitas vezes as pessoas pensam que a opinião deles é já ciência. A UNESCO representa educação, ciência e comunicação, então eles regem-se por estas regras e quando não sabemos fundamentar suficientemente fica muito difícil nós fazermos passar aquilo que é do nosso próprio domínio de conhecimento para um domínio universal maior.

 

No discurso de fim de ano falou de uma actualização da Lei do Mecenato. Como o ministério prevê trabalhar nesta área?

 

O ministério foi sentindo algumas necessidades, como a questão dos patrocínios de toda a maneira e para todas as pessoas ser impossível, não há orçamento que resista a isto. Há coisas obrigatórias que nós temos de fazer, como pagar salários, cumprir com as rubricas dos projectos que temos que fazer durante o ano, mas não há nenhuma rubrica para patrocínio e dar a toda a gente, isto não existe. Podemos muitas vezes dar o nosso patrocínio institucional ou eventualmente apoiar um ou outro projecto de interesse nacional. As empresas têm uma responsabilidade social e é dentro dela que devemos muitas vezes dar respostas a algumas preocupações da cultura. Então, a primeira coisa que procuramos fazer é a carteira profissional para que preferencialmente sejam os artistas que exercem esta profissão a ter esta possibilidade de empregabilidade. Foi a forma de organizar a classe. Com a carteira profissional ele desconta para a sua segurança social, então é um funcionário e está a garantir no futuro a própria reforma. Temos artistas que envelhecem e morrem numa certa idade em condições difíceis. Falamos com a Associação dos Resorts de Angola e promovemos a assinatura de um protocolo com a UNAC-SA. E estimulamos os restaurantes a fazerem também a mesma coisa e ter uma tabela definida para os artistas puderem ter as suas actividades e assim, mediante os contratos que estabelecerem, protegerem-se do ponto de vista social. Por essa razão começamos a colocar ao Ministério das Finanças uma discussão que levasse as pessoas a criar uma agenda cultural dentro destes hotéis e terem facilidade na questão dos impostos, isto fez rever a questão da Lei do Mecenato para criar esta relação.

 

Centro Cultural de Luanda no antigo Roque

 

O Centro Cultural do Huambo vai jogar um papel importante na promoção do circuito cultural da região Centro-sul?

 

Sim, porque a maior parte das coisas estava fixada aqui em Luanda e nós conhecemos que quando falamos de cultura a gente não sai do corredor Luanda- Malanje. Tal como disse logo no princípio, é preciso ver que Angola é um país multicultural e as culturas em princípio devem ser promovidas de forma horizontal. Quer dizer, no Leste tem tchianda, mas não é só o Gabriel Tchiema, porque outras tem outras pessoas a desenvolverem o estilo que temos de conhecer. Se conhecemos muito que toca semba em Luanda, por outro lado conhecemos poucos da tchianda, no Huambo temos de conhecer mais além da Edna Mateia, o Bessa, Handanga.

 

É preciso desconcentrar esta ideia que o artista é apenas em Luanda e que só se afirma vindo aqui. Nós já estamos a tentar fazer isto com o carnaval, porque independentemente do acto central ser em Luanda todas as províncias na mesma altura realizam o desfile.

 

Onde será erguido o futuro Centro Cultural de Luanda?

 

Estamos a ver o local e os termos de referência, mas muito provavelmente, quer o Centro Cultural de Luanda, quer o Museu da Resistência, vão ser erguidos ali onde era o mercado do Roque Santeiro.

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o director do gabinete provincial dos antigos combatente e veteranos da pátria em malanje, disse que por esta altura, não existe de frma oficial um sobrevivente do massacre da baixa de cassanje, o responsável disse mesmo que todas as buscas para a identificação dos heróis vivos estão encerradas.

E Depois dos Pronunciamentos do Director do Gabenete Provincial dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria em Malanje, Ananias Gomes que afirmou que não existem sobreviventes do Massacre da Baixa de Cassanje, eis que alguns sobreviventes apareceram a Rádio Ecclesia local desmentindo tais informações. COMPLETA A INFORMAÇÃO O JORNALISTA JUSTINO NGONDE

 

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O Presidente desta associação refere que é chegado o momento de se passar a olhar para a figura do professor, numa perspectiva de realce “o professor é a fonte de onde todas as profissões bebem, e se o professor falha, não tens qualidade em nenhuma profissão” justificou, acrescentado que a junção da cultura Cokwe como uma das homenageadas também nesta gala, é a “humilde” contribuição da Acequa para a afirmação da Angola idade e dos seus povos.

 

Rafael Aguiar acredita que a premiação destes profissionais se reveste de uma importante iniciativa, e que vai indiretamente estimular a qualidade no seio desta classe.

“Pensamos nós, vamos também reconhecer os professores das comunidades, e para isto precisamos inverter a pirâmide de que não só os juristas, economistas e tantos outros que merecem ser distinguidos” frisou.

 

António Pacavira, Professor de carreira e Presidente da Associação Nacional do Ensino Particular (ANEP) foi o primeiro a receber a distinção, e não deixou de se mostrar feliz pela premiação, bem como louvar a iniciativa desta organização.

“Ser indicado para receber esta homenagem é uma grande honra para qualquer profissional, e para nós como educadores se reveste de uma total importância porque afinal os nossos esforços são visíveis” disse, augurando que acções como estás que reconhecem o comprometimento destes profissionais devem ser multiplicadas.

 

Foram ainda destinguidos a Vice Presidente e o Secretário Geral do Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF) Ermínia do Nascimento e Ademar Jinguma respectivamente e o jovem Luís da Solidão como Melhor Estudante do ano 2022 “é um sentimento de alegria por saber que também sou reconhecido, mas aproveito para frisar que o prémio não é só para mim, mas sim para todos aqueles estudantes que se dedicaram aos estudos no ano passado” referiu.

 

A primeira edição desta gala rendeu homenagem também a Cultura Lunda Cokwe, e contou com actuações de Sandra Nhakatolo, Grupo de dança Turma do Futuro, Coro da Aceque e a degustação de kitutes do Povo Cokwe.

 

Repórter Delgado Teixeira

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O vice-decano para os Assuntos Científicos e Pós-graduação da Faculdade de Economia da Universidade de Angola (UAN), professor Doutor Domingos Mpangu Lucília, morreu, esta quarta-feira, em Luanda, vítima de doença.

“A Universidade Agostinho Neto tomou conhecimento, com choque e com profunda dor e consternação do passamento físico do Vice-Decano para os Assuntos Científicos e Pós-graduação da Faculdade de Economia da UAN, Professor Doutor Domingos Mpangu Lucília, ocorrido hoje, 22 de Novembro de 2023, em Luanda, vítima de doença”, lê-se numa nota de condolências da UAN.

 

O professor Doutor Domingos Mpangu Lucília foi docente da Faculdade de Economia da UAN (FECUAN), onde com zelo e dedicação contribuiu para o desenvolvimento do Ensino e Investigação Científica.

 

“Em nome de todos os trabalhadores docentes e não docentes, dos estudantes de todas as Unidades Orgânicas, a Direcção da Universidade Agostinho Neto inclina-se perante a memória do Professor Doutor Domingos Mpangu Lucília e apresenta à estremecida e enlutada família, aos colegas, aos estudantes  e  aos amigos os sentidos pêsames”, acrescenta o documento consultado pelo JA Online.

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A capital angolana acolhe, de hoje até sexta-feira, a 3ª edição do Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz, mais conhecido por Bienal de Luanda, com o foco na educação e juventude.

Considerado a maior conferência de cultura de paz a nível do continente africano, o evento, subordinado ao tema “Educação, cultura de paz e cidadania africana como ferramentas para o desenvolvimento sustentável do continente”, vai ser aberto pelo Presidente da República, João Lourenço, na qualidade de anfitrião.

 

Ao falar, terça-feira, à imprensa, no quadro da última sessão da “Agenda Bienal 2023” (momento informativo sobre os preparativos do certame), o porta-voz da 3ª Bienal, o jornalista Neto Júnior, disse que, para esta edição, estão já confirmadas as presenças dos Presidentes de Cabo Verde, José Maria Neves, de São Tomé e Príncipe, Carlos Vila Nova, da Etiópia, Sahle-WorkZewed, bem como da Vice-Presidente da Namíbia, Nangolo Mbumba, e da Primeira-Ministra da Guiné Equatorial, Manuela RokaBotey.

 

Da lista das individualidades que já garantiram presença, prosseguiu o porta-voz, constam, igualmente, os ex-Chefes de Estado da Nigéria, Moçambique e Malawi, nomeadamente, Olusengo Obasanjo, Joaquim Chissano e Joyce Banda, além de Ngalame Montlanthe. Actualmente, todos estes são conselheiros da União Africana.

 

Fazem ainda parte do painel de diálogo o presidente da Comissão da União Africana, o director-geral adjunto da UNESCO e a secretária-geral do Conselho de Igrejas Cristãs em Angola (CICA), a reverenda Deolinda Dorcas Tecas.

 

A 3ª Bienal de Luanda vai contar com um total de seis painéis de diálogo no formato de mesa-redonda, com destaque para o intergeracional de alto nível, que terá como oradores os Chefes de Estado ou representantes.

 

Neto Júnior salientou que os demais Chefes de Estado vão fazer-se representar por entidades do Governo, tais como ministros das Relações Exteriores do Congo, ministra de Estado e conselheira do Presidente da Guiné-Bissau, ministro da Informação e Publicidade do Zimbabwe, ministro da Educação do Togo, ministra da Juventude e Desportos das Comores.

 

 

Painel de diálogo intergeracional

 

A 3ª edição da Bienal de Luanda conta com 20 oradores internacionais e dez nacionais, entre os quais Chefes de Estado e de Governo, presidente da Comissão da União Africana, comissários e conselheiros da União Africana, director-geral adjunto da UNESCO, ministros, representantes de instituições eclesiásticas, jovens angolanos, africanos e da diáspora.

 

A nível nacional, fez saber o porta-voz, estão convidados 92 membros do Governo Central, seis do Governo local, 34 do Poder Legislativo, dez do poder judicial, 61 representantes do corpo diplomático acreditado em Angola, 382 integrantes do sector privado e da sociedade civil, entre os quais académicos, líderes associativos, empresariais dos diversos ramos de actividade económica e social, das ordens profissionais, dos partidos políticos, bem como autoridades eclesiásticas e do poder tradicional.

 

Durante os três dias de actividade, a 3ª Bienal de Luanda vai contemplar um painel de diálogo intergeracional de alto nível entre Chefes de Estado e de Governo e jovens provenientes de vários países africanos, seleccionados pela União Africana, UNESCO e pelo Governo de Angola, vários fóruns temáticos e visitas a monumentos culturais na capital do país.

 

Para assegurar uma ampla participação, Neto Júnior informou que o fórum vai adoptar o formato híbrido das sessões, ou seja, haverá participação presencial e virtual no primeiro e no segundo dia. Estão, igualmente, previstas actividades paralelas no âmbito da Bienal de Luanda.

 

No quadro desta estratégia, está  prevista a realização da primeira Conferência Nacional Ecuménica sobre o Resgate dos Valores Morais, Cívicos e Religiosos, organizada pelo CICA, e o concerto musical da ResiliArt Angola, com cantores cabo-verdianos, camaroneses e angolanos, que terá lugar no Shopping Fortaleza, em Luanda, numa iniciativa da UNESCO e do Governo angolano e promoção da American School of Angola, dedicada à educação, arte e cultura.

 

Durante ainda os três dias, o fórum vai contemplar uma exposição de artes, a actuação de um grupo nacional de dança Sassa Cokwe e momentos de artistas de música gospel.

 

 

Resultado esperado

 

O porta-voz disse que com a realização da 3ª Bienal de Luanda espera-se atingir, em resumo, o aprofundamento da partilha de visões sobre a cultura de paz, segurança, cidadania africana, democracia no continente, com a edificação de sociedades mais pacíficas, transformando, deste modo, atitudes e abordagens nos domínios da política, economia e cultura, para o fortalecimento dos pilares do progresso integral do continente, a articulação, com a União Africana, para a preparação e realização das actividades do continente inerentes à paz e reconciliação em África, em virtude da designação do Presidente da República e do seu papel de Campeão para a Paz e Reconciliação da União Africana.

 

Constam, também, das metas a serem alcançadas o desenvolvimento de trabalhos com a UNESCO na definição de Planos de Acção para a promoção da educação, defesa da ciência e divulgação da arte em prol do fomento da Cultura de Paz, o reforço da reflexão sobre as vantagens da implementação da educação de qualidade, da cidadania africana, da integração continental, da acção climática, do uso de energias renováveis e de tecnologias de informação e de comunicação, do empoderamento das mulheres e meninas, bem como a consolidação da governação democrática e do Estado de Direito em África.

 

O porta-voz assegurou estarem criadas as condições técnicas, humanas e logísticas para o êxito da 3ª edição da Bienal de Luanda. Em relação aos cidadãos interessados em participar na Bienal de Luanda, de forma virtual, Neto Júnior informou que estes poderão fazê-lo através das condições virtuais já criadas.

 

Sobre este particular, disse que hoje e quinta-feira a emissão em directo do Fórum vai ocorrer no site oficial da Bienal de Luanda, com o endereço www.bienaldeluanda.org.ao. “A Bienal de Luanda também vai ser emitida em directo na página Bienal de Luanda do Facebook”, informou.

 

 

Bienal de Luanda

 

A Bienal de Luanda é um evento internacional, organizado  pelo Governo de Angola, UNESCO e a União Africana, destinada à promoção da prevenção da violência e da resolução de conflitos, incentivando o intercâmbio cultural em África e o diálogo entre gerações e é realizada a cada dois anos em Luanda.

 

É uma plataforma de promoção da cultura de paz, educação, diálogo intergeracional, pan-africanismo e de implementação dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU, das aspirações da Agenda 2063 da União Africana, em particular a iniciativa de “Silenciar as Armas até 2030” e a “Estratégia da UNESCO para a Prioridade África (2022-2029)”.

 

A iniciativa reforça a implementação dos Objectivos 16 e 17 da Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável e das sete  aspirações da Agenda 2063 da União Africana, em particular o programa Silenciar as Armas até 2033.A Bienal contribui, também, para a implementação da Estratégia Operacional da UNESCO para a Prioridade África (2014-2021), com o objectivo de fornecer respostas africanas às transformações que afectam as economias e as sociedades do continente.

 

 

Objectivos da Bienal

 

A Bienal de Luanda destina-se à promoção do conhecimento das várias identidades dos povos africanos e da coabitação pacífica, capacitar a próxima geração de jovens africanos como catalisadores da paz, valorizar a riqueza e a diversidade do património cultural para promover uma paz duradoura em África, promover a cultura e a educação para a resolução de conflitos e para uma sociedade mais harmoniosa, assim como prevenir os conflitos relacionados com a gestão dos recursos naturais nacionais e transfronteiriços.

 

A Bienal tem ainda como finalidade responder às necessidades dos refugiados, repatriados e pessoas deslocadas, incentivar a reflexão sobre a presença de África no mundo e incentivar um espaço mediático pluralista para promoção da paz e do desenvolvimento.

 

 

A primeira edição da Bienal de Luanda foi realizada de 18 a 22 de Setembro de 2019 em Luanda, tendo sido uma celebração de diversos valores africanos, crenças, formas de espiritualidade, conhecimento e tradições que contribuem para o respeito dos direitos humanos, diversidade cultural, rejeição da violência e desenvolvimento de sociedades democráticas.

 

A segunda edição ocorreu de 27 de Novembro a 2 de Dezembro de 2021 e foi celebrada sob o tema da União Africana para 2021, “Artes, Cultura e Património: Alavancas para Construir a África que Desejamos”, contemplando eventos digitais e presenciais.

 

 

Uma plataforma privilegiada de intercâmbio

 

No discurso proferido, este ano, na 78ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, Estados Unidos da América, o Presidente da República, João Lourenço, considerou o Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz uma plataforma privilegiada de intercâmbio entre diferentes culturas, religiões e modelos sociais, através de sessões interactivas e construtivas para identificar, promover e difundir modelos viáveis e inclusivos de resolução pacífica de conflitos a nível do continente africano.

 

O estadista referiu que o mesmo pode servir ainda como uma referência “potencialmente inspiradora” para outras regiões do mundo.

 

O Presidente João Lourenço lembrou que Angola se tem assumido como promotora do diálogo que, como sublinhou, não se deve limitar aos espaços políticos e diplomáticos, mas abranger, também, um vasto leque de protagonistas, designadamente organizações da sociedade civil, empresas e indivíduos, cabendo, assim, um lugar de destaque à juventude, “verdadeira força motora das transformações que almejamos para garantir o progresso das nossas nações.

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A viúva do Primeiro Presidente de Angola, Maria Eugénio Neto, afirmou, esta sexta-feira, que “estamos todos de parabéns”, no dia em que é inaugurado o Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto.

A viúva do Primeiro Presidente de Angola e fundador da Nação, que falava aos jornalistas, realçou, também, o impacto de Agostinho Neto no país que o viu nascer.

“É um investimento muito bem feito e temos de ter capacidade humana capaz para mantermos o novo Aeroporto Internacional”, sublinhou.

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Todos os livros de Agualusa têm uma escrita escorreita, fluida, que envolve o leitor. Este livro sobre Abel Chivukuvuku não foge à regra. Trata-se de uma narrativa informativa estruturada de forma romanesca, que apresenta um retrato hiperbólico da personagem principal.

 

A imagem que apresenta de Chivukuvuku é a de “grande homem” angolano. Descreve as suas origens no Bailundo, enfatizando a sua ascendência aristocrática, designadamente a sua linhagem, que traça até ao rei Ekuikui II, talvez a parte do livro em que as qualidades literárias de Agualusa mais se denotam.

 

Chivukuvuku é retratado como pertencendo a um tipo de pessoas “afáveis e cultas, com um vasto conhecimento do mundo, e tão à vontade nos grandes salões de Londres, Washington ou Nova Iorque, quanto nos mais desvalidos musseques da capital” (p. 154).

 

A sua vida é descrita desde a influência das missões protestantes, a frequência da escola pública, a adesão à UNITA, feita, essencialmente, “não por razões ideológicas, mas de parentesco – praticamente toda a sua família simpatizava com o movimento do Galo Negro, e alguns eram altos dirigentes do mesmo” (p. 57).

 

Dentro da UNITA são contados os seus papéis principais, como militar, como oficial de inteligência, como negociador com o MPLA, mas o que ressalta é a constante disputa com Jonas Savimbi. São descritos variados episódios de desentendimento ou desconfiança entre Jonas Savimbi e Abel Chivukuvuku. Aqui é uma narrativa quase jornalística.

 

Contam-se vários episódios em que Abel saiu vivo por “milagre”, tentando-se construir uma narrativa em que ele aparece quase como um “predestinado”, alguém escolhido por Deus ou algo semelhante (p. 102, por exemplo).

 

Curiosamente, Jonas Savimbi sai muito mal da história. É apresentado como “um homem perigoso, mentalmente instável e ideologicamente pouco confiável” (p. 152). Savimbi é retratado como alguém perigoso quando alcoolizado (p. 207 e ss).

 

Aliás, na narrativa de Agualusa fica claro que Jonas Savimbi procurou deliberadamente o apoio da África do Sul do apartheid, tendo tomado a iniciativa de contactar as forças sul-africanas (p. 77 e ss). Também é afirmada a responsabilidade de Jonas Savimbi e de quadros da UNITA na morte pela fogueira de 19 mulheres e 2 crianças (p. 130 e ss), bem como os assassinatos de Tito Chingunji e Wilson dos Santos (p. 150).

 

Obviamente, como pano de fundo, surge sempre o MPLA como o inimigo, mas de forma matizada. É muito enfatizada a amizade de Abel Chivukuvuku com Nandó (p. 148).

 

Finalmente, é de referir aquele o veredicto acerca da actual política da UNITA de permanente contestação ao resultado eleitoral de Agosto de 2022. Escreve Agualusa: “O movimento do Galo Negro contesta os resultados oficiais. Contudo, nem a UNITA nem nenhum outro organismo ou instituição consegue demonstrar a existência de fraude em larga escala.”(p. 246)

 

E sobre o futuro de Abel: “A história de Abel Chivukuvuku não termina aqui. Como tantas outras vezes, está apenas a recomeçar.” (p. 246)

 

De alguma forma, o livro surpreende, não pela crítica ao MPLA, que era esperada, mas pelo retrato desapaixonado, mesmo desconcertante, de Jonas Savimbi e da UNITA, em contraste com o ardoroso fulgor de Chivukuvuku.

 

Detectámos dois lapsos, a corrigir em próximas edições: na página 81, o presidente americano Gerald Ford é chamado Henry Ford; na página 172 diz-se que Herman Cohen era secretário de Estado dos EUA, quando nunca o foi (a sua função mais elevada no governo foi a de secretário de Estado-adjunto para os Assuntos Africanos (1989-1993)).

 

O novo livro de Agualusa é de leitura extremamente aconselhável para quem quer perceber melhor a história contemporânea angolana, especialmente nas suas ambiguidades.

 

* Edição: José Eduardo Agualusa, Vidas e Mortes de Abel Chivukuvuku: Uma biografia de Angola, Lisboa, Quetzal (250 páginas).

Fonte: MAKA ANGOLA

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