Sábado, Maio 30, 2026

LUSOFONIAS ESPECIAL: PADRE TONY NEVES ESCREVE DE ROMA EM HOMENAGEM A DOM ZACARIAS KAMWENHO

Nasceu em 1934 no Chimbundo, uma aldeia da Missão do Bailundo, no interior de Nova Lisboa (Huambo).

Por: apostolado
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A CRÓNICA DO PADRE TONY NEVES: LUSOFONIAS — SEMANA LAUDATO SI

Recebi esta semana uma mensagem muito significativa vinda do Quénia, na fronteira com a Somália.

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LUTO NA CULTURA NACIONAL: MORREU O SAXOFONISTA NANUTU, AOS 68 ANOS

A sua trajectória artística começou em grupos musicais de Luanda, em 1974, tendo a estreia oficial acontecido no Agrupamento Aliança FAPLA-Povo.

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ENSA ARTE 2026: CELEBRAÇÃO DO TALENTO ARTÍSTICO NACIONAL EM LUANDA

As obras concorrentes ao Prémio ENSA-ARTE 2026 — nas categorias de Escultura, Pintura e Performance Artística — foram submetidas à apreciação do júri até ao dia 12 de janeiro de 2026

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AUTOR DA MÚSICA “A INDEPENDÊNCIA ESTÁ CHEGANDO” DESEJA CANTAR AO VIVO PARA O PAPA EM LUANDA

Para concretizar essa ambição, MIROL apelou à intervenção da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé.

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FALECEU DOM SERAFIM SHYNGO-YA-HOMBO, BISPO EMÉRITO DE MBANZA CONGO.

Pastoreou a diocese de M'Banza Kongo entre 1992 e 2008.

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O CEMITÉRIO COMO ESCOLA DA HUMILDADE

Vivemos como se fôssemos permanentes, quando somos apenas passageiros apressados.

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Dom Zacarias Kamwenho, Arcebispo Emérito do Lubango, partiu para a Casa do Pai esta sexta feira, dia em que os cristãos celebram a Paixão e Morte de Cristo. Foi uma das figuras mais marcantes da história da Igreja de Angola, sendo o único Bispo que viveu todo o tempo de Angola independente, pois foi ordenado em 1974. A história da Igreja e do País não se pode escrever sem gravar o seu nome, as suas palavras proféticas, o seu compromisso pela justiça e pela paz.

 

Nasceu em 1934 no Chimbundo, uma aldeia da Missão do Bailundo, no interior de Nova Lisboa (Huambo). Tive a alegria de lá passar recentemente e ver que a escola tem o nome de Dom Zacarias. Levado pelos Missionários Espiritanos para o Seminário, seria Ordenado Padre por Dom Daniel Junqueira, Arcebispo de Nova Lisboa, a 9 de junho de 1961.

 

Foi desempenhando sempre cargos de responsabilidade. Seria nomeado Reitor do Seminário Maior de Cristo Rei, Nova Lisboa, cargo que ocupou até à surpreendente nomeação como Bispo Auxiliar de Luanda, em 1974, ainda em tempo colonial.

 

Roma criou a Diocese de Novo Redondo (hoje Sumbe) em 1975, sendo Dom Zacarias nomeado como seu primeiro Bispo. Ali esteve 20 anos, até rumar ao Lubango, onde foi o Arcebispo Coadjutor de Dom Manuel Franklin da Costa (1995-1997), sendo o titular de 1997 até 2009, quando se tornou Emérito, após ter atingido o limite de idade. Foi substituído por Dom Gabriel Mbilingi, Espiritano. Com um humor sempre finíssimo, disse-me um dia: ‘para provar que eu sou Espiritano de alma e coração, basta ver que todos os meus sucessores foram Espiritanos: Dom Benedito Roberto no Sumbe e Dom Gabriel Mbilingi no Lubango!’. Após deixar o Lubango ainda foi nomeado, em 2010, Administrador Apostólico da Diocese do Namibe.

 

Foi eleito Presidente da CEAST onde exerceu dois mandatos em momentos históricos muito difíceis: de 1997 a 2003, tempo que inclui o fim da guerra civil, com o Memorando de Luena assinado em 2002. Neste período de cruel guerra civil, liderou a criação do Movimento Pro-Pace (1999) e, com outras Igrejas Cristãs, lançou e presidiu ao Comité Inter-Eclesial para a Paz (COIEPA), fundado em 2000.

 

Dom Zacarias Kamwenho durante o Congresso de Reconciliação em Angola

Dom Zacarias Kamwenho durante o Congresso de Reconciliação em Angola

Ganhou, em 2001, o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, atribuído pelo Parlamento Europeu, pelos seus compromissos em favor da paz em Angola.

 

Fundou a Congregação das Irmãs Franciscanas da Visitação.

 

A Conferência Episcopal de Angola e S. Tomé prestou-lhe uma sentida homenagem por ocasião dos seus 50 anos de Ordenação Episcopal, em novembro de 2024. Multiplicou celebrações e encontros nas várias Dioceses por onde passou, seja como Padre (Huambo), ou como Bispo (Luanda, Sumbe, Lubango e Namibe).

 

Há recordações que não me abandonam. Quando, em 2016, fui a Luanda ao Jubileu dos 150 anos da chegada dos Espiritanos, Dom Zacarias não faltou a nenhum dos momentos do denso programa jubilar. A Eucaristia de Encerramento foi muito solene, com milhares de pessoas, no adro da Igreja do Espírito Santo, no S. Pedro do Prenda. Quando chegou o momento de ação de graças, todos os missionários Espiritanos foram convidados a juntar-se para uma homenagem. O povo cantava e dançava, os Espiritanos faziam o mesmo e, dentre os Bispos presentes, sai Dom Zacarias, junta-se à dança e diz muito alto: ‘eu também sou Espiritano! E lá dançou até que o Presidente da Celebração avançou para o ‘Oremos Final’!

 

Partiu um amigo. Escreveu-me – era ele então o Presidente da Conferência Episcopal – o Prefácio do meu livro, ‘Angola. A Igreja Católica pela Paz’, publicado em 2001, no ano anterior ao fim da guerra civil. Concluiu assim: ‘advogamos o diálogo inclusivo, em que depostas as armas e as intimidações e a compra/venda de interesses (vulgo ‘corrupção’) todos participem do Projecto-Nação e todos se comprometam na e pela sua implantação’. Conversamos vezes sem conta, partilhamos alegrias e angústias, era sempre uma festa o nosso frequente reencontro.

 

Encontrei-o em Roma na despedida do Papa Francisco e na eleição do Papa Leão. Vi-o, com o seu habitual sorriso, na recente visita do Papa a Angola. Partiu quase sem ter tempo de se despedir, mas deixa um enorme legado, uma mina de diamantes ainda por explorar…

 

Que descanse na Paz d’Aquele em quem sempre acreditou a quem tanto e tão bem servir durante toda a sua longa vida.

 

Obrigado, Dom Zacarias.

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O Papa Francisco publicou, em 2015, a encíclica social Laudato Si’, dedicada ao cuidado da Casa Comum. Trata-se, de forma amplamente reconhecida, de um documento profundamente inspirador, que apela à urgência de um novo olhar sobre o mundo criado e à responsabilidade pela integridade da criação. Esta encontra-se hoje ameaçada por múltiplos atentados contra a ecologia integral, que exige, simultaneamente, o cuidado dos pobres e a proteção da natureza.

 

Na audiência do passado domingo, o Papa Leão recordou: “De hoje até ao próximo domingo decorre a Semana Laudato Si’, dedicada ao cuidado da criação e inspirada na encíclica do Papa Francisco. Neste ano jubilar de São Francisco de Assis, recordamos a sua mensagem de paz com Deus, com os irmãos e com todas as criaturas. Infelizmente, nos últimos anos, devido às guerras, os progressos neste campo abrandaram significativamente. Por isso, encorajo os membros do Movimento Laudato Si’ e todos os que trabalham por uma ecologia integral a renovarem o seu empenho. Cuidar da paz é cuidar da vida!”

 

Recebi esta semana uma mensagem muito significativa vinda do Quénia, na fronteira com a Somália. Trata-se de uma região marcada pelo deserto ou quase deserto, onde as culturas agrícolas dificilmente vingam e as árvores de fruto não sobrevivem. Ainda assim, persiste o esforço de contrariar esta realidade agreste, apostando em soluções simples, como a plantação de arbustos capazes de trazer algum verde à paisagem, atrair gradualmente as chuvas e melhorar as condições de vida de populações muito pobres.

Há cerca de um ano, o padre angolano José Martins Mandele chegou à missão de Wenje, nestes confins do Quénia. Com ousadia e sentido prático, decidiu plantar 200 árvores no terreno que envolve a residência paroquial onde vive. Explica que o projeto “Wenje Verde” é uma iniciativa ambiental e ecológica essencial para combater as alterações climáticas, restaurar paisagens degradadas e melhorar os meios de subsistência da comunidade paroquial.

 

Wenje situa-se no condado de Tana River, na fronteira com a Somália. É uma região de clima quente e seco, o que torna esta iniciativa particularmente importante para criar sombra, promover a conservação ambiental e reforçar o bem-estar da comunidade. Entre os principais objetivos da plantação destas árvores estão o combate às alterações climáticas e à seca, fenómenos frequentes naquela zona, onde as chuvas são escassas e irregulares.

 

Foram já plantadas 205 árvores no quintal paroquial, que servirá também para celebrações e encontros comunitários. Este projeto pretende ainda reabilitar ecossistemas degradados e proteger o solo contra riscos ambientais como a erosão, a sedimentação e os problemas na gestão da água. Se estas árvores conseguirem sobreviver — o que representa um grande desafio —, poderão inspirar os habitantes locais a reproduzir a iniciativa nos seus próprios quintais.

 

Como sublinha o padre Mandele, “não basta alimentar o espírito com a Palavra de Deus, cuidar do corpo com a medicina e educar a mente com a educação; é igualmente necessário ensinar os fiéis a cuidar da Mãe Natureza através do projeto Wenje Verde”.

 

O missionário espiritano descreve ainda a realidade cultural da região: Wenje é um espaço de grande diversidade, habitado por comunidades Pokomo, Orma, Wardey e também por somalis vindos da vizinha Somália. Esta diversidade, associada à pobreza estrutural, contribui para conflitos frequentes e situações de insegurança, muitas vezes motivadas pela disputa de recursos essenciais como pastagens e água, agravadas pela seca persistente.

 

O projeto aponta também para desafios futuros, nomeadamente a manutenção das plantas através da irrigação. Ainda assim, esta ação transforma o espaço paroquial num lugar de “sombra, ar puro e um amanhã melhor”, promovendo simultaneamente o cuidado com a criação.

 

Nesta Semana Laudato Si’, este testemunho interpela-nos profundamente. Em muitos lugares do mundo, multiplicam-se sinais de urgência que pedem atenção, responsabilidade e ação concreta, para que seja possível proteger os pobres e tornar habitável a nossa Casa Comum.

 

Tony Neves, em Roma

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Morreu hoje o saxofonista António Manuel Fernandes “Nanutu”, aos 68 anos, segundo fontes familiares. O desaparecimento físico do músico representa uma grande perda para a cultura angolana, sobretudo para a música instrumental, área em que se destacou como uma das maiores referências nacionais.

 

Reconhecido pelo talento, versatilidade e forte ligação às raízes musicais angolanas, Nanutu construiu uma carreira de várias décadas marcada pela valorização da música instrumental e pela divulgação da cultura nacional em palcos internacionais. Considerado um dos instrumentistas mais internacionais de Angola, celebrou em 2025 os seus 50 anos de carreira artística.

 

Nascido a 23 de Novembro de 1957, no Sambizanga, em Luanda, António Manuel Fernandes adoptou o nome artístico de Nanutu. Antes, era tratado por “Nandinho”, alcunha atribuída pelo saudoso músico David Zé. Foi na Casa dos Rapazes de Luanda que começou a aprender música, iniciando-se na bateria, instrumento que tocou até aos nove anos, altura em que passou para o clarinete.

 

A sua trajectória artística começou em grupos musicais de Luanda, em 1974, tendo a estreia oficial acontecido no Agrupamento Aliança FAPLA-Povo. Ao longo da carreira, integrou igualmente conjuntos de referência como Os Merengues e Semba Tropical, antes de se afirmar definitivamente como saxofonista.

 

Em 1991, emigrou para Portugal, onde prosseguiu a carreira e aprofundou a formação musical. Frequentou o Hot Club de Lisboa, o Conservatório Musical da República Dominicana, em Santo Domingo, e o Conservatório Nacional de Havana, em Cuba. Durante este período, trabalhou com vários artistas nacionais e internacionais, tornando-se uma figura respeitada no universo da música lusófona.

 

Entre os trabalhos discográficos mais conhecidos de Nanutu constam os álbuns “Marés” (1996), “Kizofado” (2000), “Luandei” (2005), “Bisa” (2009) e “Ximbika” (2012), além de “Gato Vijú”, obras que ajudaram a consolidar o seu nome no panorama musical angolano e internacional.

 

Internacionalmente, acompanhou artistas dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) residentes em Portugal e nomes consagrados da música mundial, como Pablo Milanés, Luís Represas, Martinho da Vila, Simone, Daniela Mercury e Lecy Brandão.

 

A morte de Nanutu deixa um vazio profundo na música angolana, sobretudo entre os apreciadores do jazz, semba e música instrumental, géneros que o artista soube fundir com identidade própria e grande sensibilidade artística.

 

Em actualização…

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A ENSA Seguros de Angola, S.A. (Sociedade Aberta) informa que a cerimónia de outorga do Prémio ENSA Arte 2026 terá lugar no próximo dia 29 de abril de 2026, às 15h30, no Hotel Intercontinental, em Luanda.

O evento representa um momento de elevado prestígio, dedicado à celebração e valorização do talento artístico nacional, reunindo finalistas, convidados institucionais, parceiros e distintas personalidades dos sectores cultural e empresarial.

De âmbito nacional e com periodicidade bienal, o Prémio ENSA-ARTE destina-se a artistas e criadores de obras nas áreas de Escultura e Pintura. À semelhança das edições anteriores, a XVIII edição introduz, além destas categorias, a Performance Artística como nova modalidade.

A Performance Artística destaca-se por integrar diversas expressões, como teatro, música, dança e artes plásticas, constituindo uma forma contemporânea de criação e comunicação. Com esta inclusão, pretende-se reconhecer artistas, individuais ou colectivos, que se exprimem e transmitem mensagens através da sublimação artística.

As obras concorrentes ao Prémio ENSA-ARTE 2026 — nas categorias de Escultura, Pintura e Performance Artística — foram submetidas à apreciação do júri até ao dia 12 de janeiro de 2026, conforme o regulamento disponibilizado nas redes sociais, no website e nas agências da ENSA Seguros.

Os vencedores do primeiro lugar, em cada modalidade, receberão um prémio no valor de cerca de 6 milhões de kwanzas, enquanto os segundos classificados serão distinguidos com 3 milhões de kwanzas. Ambos terão ainda a oportunidade de participar numa viagem de intercâmbio artístico-cultural em França.

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O cantor angolano Gonzaga Guimarães Júnior, mais conhecido no meio artístico por MIROL, manifestou hoje o desejo de participar do encontro entre o Papa Leão XIV e os religiosos, a ter lugar na Igreja de Fátima, em Luanda. O artista pretende interpretar ao vivo algumas das suas canções para o Santo Padre, com destaque para a emblemática “A Independência está Chegando”.

 

Para concretizar essa ambição, MIROL apelou à intervenção da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, solicitando apoio institucional que possibilite a sua inclusão no programa do encontro religioso.

 

O músico, invisual e com 70 anos de idade, destacou que a presença do Papa em Angola representa um momento de grande significado espiritual e social para o país. Segundo afirmou, a visita papal poderá reforçar os valores de união e contribuir para a consolidação da paz entre os angolanos.

MIROL aproveitou ainda a ocasião para dirigir um apelo ao Presidente da República de Angola, solicitando maior atenção e reconhecimento aos artistas da sua geração, que, segundo ele, tiveram um papel relevante na promoção da cultura e da identidade nacional ao longo das últimas décadas.

 

O autor de “A Independência está Chegando” acredita que a música continua a ser uma poderosa ferramenta de mensagem e esperança, manifestando-se confiante de que poderá partilhar o seu talento num momento considerado histórico para Angola.

Fonte: Rádio Ecclesia Central

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Dom Serafim Shyngo-Ya-Hombo, pertence a  Ordem dos Frades Menor Capuchinhos, bispo emérito de Mbanza Congo, que pastoreou a diocese de M´banza Kongo entre 1992 e 2008.

Membro da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, Dom Serafim destacou-se pelo seu trabalho pastoral, pela dedicação à evangelização e pelo compromisso com a reconciliação, a formação cristã e a promoção da dignidade humana no norte de Angola.

Durante o seu episcopado, deixou uma marca profunda na vida da Igreja local, sendo recordado como um pastor próximo do povo, simples no trato e firme nos princípios.

A Igreja Católica em Angola perde uma das suas figuras de referência, e os fiéis de Mbanza Congo despedem-se de um bispo que serviu com humildade e espírito missionário.

Dom Serafim Shyngo-Ya-Hombo nasceu na Quibala, aos 6 de fevereiro de 1945, ingressou na Ordem dos Capuchinhos (OFMCap) e foi ordenado sacerdote em 1º de agosto de 1971.

Em 26 de março de 1990, o Papa João Paulo II o nomeou bispo auxiliar de Luanda e bispo titular de Aquae na Dácia. Em 29 de maio de 1992 foi nomeado Bispo de Mbanza Congo. Ele renunciou ao cargo em 17 de julho de 2008.

Dom Serafim Shingu ya Hombo, 2º Bispo da Diocese de Mbanza Kongo em substituição do seu confrade Nteka falecido no assidente de viação.

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Li, hoje, um texto do jornalista angolano Siona Júnior, publicado no seu Facebook. Não o li com pressa, nem como quem desliza o dedo sobre o ecrã à procura de distracção. Li-o devagar, como se lê aquilo que nos toca porque nos espelha. Reconheci-me nas suas palavras. E quando um texto nos reconhece, já não é apenas do autor: passa a ser nosso também. Por isso escrevo esta crónica — não para repetir, mas para reforçar a reflexão.

 

Siona Júnior lembra-nos de algo tão simples quanto esquecido: valorizemos as pessoas enquanto estão vivas. Familiares, amigos, colegas, vizinhos. Aqueles que partilham connosco o pão, a rua, o trabalho, o silêncio e até os conflitos. Porque depois… depois é tarde demais. O elogio póstumo não aquece, o pedido de perdão no funeral não cura, e as flores no caixão não substituem o abraço em vida.

 

Vivemos como se fôssemos permanentes, quando somos apenas passageiros apressados. Brigamos por cargos, títulos, vaidades, como se o mundo fosse um campeonato eterno. Esquecemo-nos de que o tempo não negocia, não avisa duas vezes, não espera que resolvamos as nossas mágoas. Ele passa. Simplesmente passa.

 

Há uma verdade dura, mas profundamente democrática: no cemitério, todos somos iguais. Ali não há doutor, general, director, influencer ou anónimo. Não há marca de carro, nem saldo bancário, nem currículo. A terra não reconhece vaidade. O mármore não lê cartões de visita. O cemitério é, afinal, o maior filósofo silencioso da humanidade: ensina-nos que tudo o que não foi amor, foi excesso.

 

Quantas pessoas só se tornam “boas” depois de morrer? Quantos elogios só aparecem quando já não podem ser ouvidos? É uma ironia cruel da nossa cultura: poupamos afecto em vida e gastamos tudo na despedida. Choramos no funeral quem nunca soubemos escutar na sala de estar.

 

Talvez a verdadeira espiritualidade não esteja em discursos grandiosos, mas em gestos pequenos: um telefonema, um pedido de desculpas, um “estou contigo”, um “obrigado por existires”. Porque, no fim, ninguém levará nada — excepto a memória que deixou nos outros.

 

O texto de Siona Júnior lembra-nos, com sobriedade, que estamos todos de passagem. E que, se é assim, faz mais sentido andar leve, amar mais, perdoar cedo, valorizar agora. O resto é vaidade — e a vaidade, como a história já provou, termina sempre no mesmo lugar.

 

Na terra. Em silêncio. Sem aplausos.

 

Por: André Kivuandinga, jornalista e Cronista

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