Quarta-feira, Fevereiro 21, 2024

BUSCAS POR HEROIS DO MASSACRE DA BAIXA DE CASSANJE ENCERRAM SEM A IDENTIFICAÇAO DE SOBREVIVENTES.

TRAJECTORIA DA REVOLTA DA BAIXA DE CASSANJE ACONTECEU HÁ 63 ANOS

Por: apostolado
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O ministro da Defesa Nacional , Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, João Ernesto Dos Santos “Liberdade”, no município de Xá-muteba, província da Lunda Norte, o acto político central em alusão ao Dia dos Mártires da repressão colonial, que se assinala a 4 de Janeiro.

De acordo com o programa da efeméride: O acto político será antecedido de uma cerimónia de deposição de coroas de flores ao túmulo do saldado desconhecido, em que participarão membros do governo local, da delegação do ministro da Defesa, entidades eclesiásticas, entre outros.

A administradora de xabuteba esmeralda maximata, disse que tudo está pronto para o acto politico central;

Dia do massacre da baixa de cassanje.

E o director do gabinete provincial dos antigos combatente e veteranos da pátria em Malanje, disse que por esta altura, não existe de frma oficial um sobrevivente do massacre da baixa de cassanje, o responsável disse mesmo que todas as buscas para a identificação dos heróis VIVOS estão encerradas;

Ananias gomes fala ainda daquelas que são as correntes levantadas em torno da data, onde uns defendem a necessidade de se ter a data como feriado, sendo que outros insistem em te-la apenas como uma data de celebração nacional.

 

TRAJECTORIA DA REVOLTA DA BAIXA DE CASSANJE ACONTECEU HÁ 63 ANOS

A revolta dos camponeses da região da Baixa de Cassanje contra o regime colonial português, a 4 de Janeiro de 1961, na antiga companhia luso-belga da Cotonang, na província de Malanje, assim como o início da luta armada, a 4 de Fevereiro do mesmo ano, impulsionaram a conquista da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975, afirmou, quarta-feira, o director nacional de Preservação do Legado Histórico Militar do Ministério da Defesa Nacional e Veteranos da Pátria, brigadeiro Francisco Hebo Zangui Longa “filho do Altíssimo”.

 

Em entrevista ao Jornal de Angola, o director nacional de Preservação do Legado Histórico Militar referiu que o 4 de Janeiro de 1961 foi a primeira rebelião contra o regime colonial português, iniciada pelos trabalhadores rurais da Companhia Geral de Algodão de Angola (COTONANG), uma empresa angolana produtora de algodão, com participação belga.

O que determinou a revolta, frisou, foi a obrigatoriedade imposta pelo regime colonial da produção da cultura do algodão no território da Baixa de Cassanje, no antigo Reino Imbangala de Cassanje.

 

“Tratava-se da cultura obrigatória do algodão, numa comunidade de camponeses que, até então, vivia da produção agrícola”, explicou o responsável do Ministério da Defesa Nacional e Veteranos da Pátria.

 

“Os trabalhadores da Baixa de Cassanje eram cidadãos considerados indígenas e que, além de entregarem uma grande parte da sua colecta de algodão às autoridades coloniais, eram obrigados a pagar um imposto de captação”, disse.

 

 Crime contra a Humanidade

 

Francisco Hebo Zangui Longa “filho do Altíssimo” lembrou que os massacres do 4 de Janeiro de 1961 podem ser considerados um crime contra a Humanidade.

 

“O violento massacre perpetrado pelo exército colonial português contra as populações da região que abrange as províncias de Malanje e Lunda-Norte, com bombas de Nepalm, matou camponeses indefesos que reivindicavam por um preço justo da venda do algodão”, explicou.

 

Milhares de pessoas,  entre crianças, mulheres e velhos, foram vítimas da repressão do exército português.  Tendo sublinhado que com aquele acto bárbaro, o povo angolano entendeu que era chegada a hora de partir para acções que visam se libertar da opressão colonial.

O brigadeiro do Exército lembrou que para homenagear condignamente a data, estão agendadas, em todo o país, várias actividades, com destaque para palestras, actividades políticas, culturais, desportivas, recreativas, conferências, debates radiofónicos e televisivos, entrevistas, visitas guiadas a locais históricos, convívios e confraternizações com os antigos combatentes e veteranos da Pátria e familiares de combatentes tombados ou perecidos.

 

Francisco Hebo Zangui Longa “filho do Altíssimo” informou que entre os homenageados destaca-se o nome do nacionalista Rosário Neto, um dos grandes impulsionadores e organizadores da revolta dos camponeses da Baixa de Cassanje.

 

Constam ainda da lista Francisco António Mariano e o soba Teka Dya Kinda, sem esquecer João Francisco Pedro “Karitete” e Filipe Ndala, conhecido por soba Kassanje.

 

O brigadeiro Francisco Hebo Zangui Longa “filho do Altíssimo” sublinhou que o 4 de Janeiro de 1961 surgiu em homenagem aos milhares de angolanos massacrados na mesma data, em 1959, em Leopoldville, actual Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, que a partir daquele território, realizavam acções políticas contra a ocupação colonial portuguesa.

 

“Filho do Altíssimo” considerou ainda que o 4 de Janeiro de 1961 foi uma acção do nacionalismo angolano, sem cores políticas nem distinção regional, linguística, religiosa ou racial, mas sim um movimento de todos aqueles que amam o país, de modo a viver na diversidade.

 

“O país vive, hoje, momentos singulares de paz efectiva, depois de longos anos de uma guerra fratricida que terminou sem vencidos e nem vencedores. As lições amargas decorrentes do fatídico conflito armado devem manter-nos unidos, em torno de um objectivo comum que se resume no desenvolvimento sustentável de Cabinda ao Cunene e do Lobito ao Luau”, apelou.

 

 Breve história

 

A província de Malanje foi, no tempo colonial, a maior produtora de algodão do país. A Baixa de Cassanje, região que abarca os municípios de Caombo, Marimba, Kunda-dya-Base, Quela e Massango, notabilizou-se pela quantidade e qualidade de algodão que colocava no mercado internacional.

 

Até 1961, a região era habitada por 150 mil pessoas e os campos de algodão tinham quase 85 mil agricultores e respectivas famílias, algumas provenientes de outras zonas, obrigados a cultivar e vender o algodão a comerciantes portugueses.

 

Segundo historiadores, a revolta da Baixa de Cassanje começou em Outubro de 1960, quando os camponeses se recusaram a receber sementes para plantarem em Janeiro.

 

A 4 de Janeiro tem lugar a Revolta da Baixa de Cassanje, com a participação de milhares de trabalhadores dos campos de algodão da companhia luso-belga Cotonang.

 

As duras condições de trabalho e de vida e a constante repressão foram os principais factores que deram origem à sublevação. Os trabalhadores decidiram fazer greve e armaram-se de catanas e canhangulos (espingardas artesanais). Em resposta, a força aérea portuguesa lançou bombas incendiárias provocando milhares de mortos.

 

Memorial na Baixa de Cassanje

 

Quanto à construção de um Memorial na Baixa de Cassanje, o director nacional de Preservação do Legado Histórico Militar avançou que os estudos encontram-se bem avançados e tão logo estejam disponíveis os orçamentos previstos, erguer-se-á o tão esperado Memorial, em homenagem aos nacionalistas angolanos tombados a 4 de Janeiro de 1961.

 

A construção do Memorial, acrescentou, está salvaguardada no Despacho nº 0718/ 2021, de 13 de Setembro, exarado pelo ministro da Defesa Nacional, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, que orienta o levantamento dos locais e sítios de interesse histórico-militar, para se erguer Monumentos e Memoriais em honra às figuras nacionais ou estrangeiras que deram o seu melhor em prol da Independência Nacional e no pós-Independência.

 

 Comemorações

 

Para este ano, as comemorações dos 63 anos do massacre perpetrado pelo exército colonial português na Baixa de Cassanje decorrem sob o lema “Com o espírito do 4 de Janeiro, Antigos Combatentes unidos rumo ao Desenvolvimento do país”. O acto central decorre, hoje, no município de Xá-Muteba, província da Lunda-Norte.

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