
Rosa Conde é um nome que se tornou conhecido no activismo social durante a era das grandes manifestações em Luanda, particularmente no período do Executivo de José Eduardo dos Santos. Já no tempo de João Lourenço, continuou a dar o rosto em algumas manifestações, mantendo uma presença pública ligada à defesa de causas sociais.
Hoje, Rosa Conde surge numa nova etapa da sua trajectória: a política, onde assume funções como coordenadora das mulheres do Partido Renova Angola. A transição do activismo para a intervenção política coloca-a diante de novos desafios, mas também revela uma mulher que procura transformar a experiência adquirida nas ruas em propostas concretas para as mulheres.
Recentemente, ao ser questionada sobre o que deve ser feito para melhorar a condição das mulheres, Rosa Conde respondeu com uma ideia simples, mas fundamental: primeiro é necessário alfabetizar as mulheres sobre os seus direitos e ajudá-las a levantar a própria voz. A afirmação revela uma perspectiva que coloca a informação, a consciência dos direitos e a participação das mulheres no centro da mudança social.
Numa outra actividade, demonstrou igualmente preocupação com a situação de jovens mães solteiras afectadas pelo desemprego e pelo consumo excessivo de álcool, defendendo caminhos que possam contribuir para a sua reintegração social e económica. É nesse tipo de abordagem que Rosa procura apresentar-se não apenas como uma dirigente partidária, mas como alguém que pretende levar para a política as preocupações que conheceu no terreno.
A sua nova posição poderá colocá-la perante um debate político mais exigente sobre o papel das organizações femininas e das instituições responsáveis pelas políticas dirigidas às mulheres. Entre essas questões estão o desemprego feminino, a violência doméstica, a defesa dos direitos das mulheres e episódios de alegados abusos cometidos contra cidadãs em espaços públicos.
É também neste contexto que a sua intervenção política poderá cruzar-se com figuras de maior peso no movimento feminino angolano, como Carlota Dias, dirigente da OMA. Mais do que uma disputa pessoal, o desafio que se coloca é saber que propostas e que capacidade de intervenção cada liderança consegue apresentar para responder aos problemas concretos das mulheres angolanas.
Rosa Conde tem, entretanto, uma vantagem que não deve ser ignorada: conhece o activismo social por experiência própria. Já esteve nas ruas, já levantou a voz e já participou em momentos de forte mobilização social em Luanda. Agora procura transportar essa experiência para o campo político.
Se conseguir transformar a sua experiência de activista em propostas, organização e resultados concretos, poderá construir uma identidade política própria na defesa das mulheres.
Rosa, que já brilhou no activismo, entra agora numa fase em que terá de provar que também consegue fazer da política um instrumento de defesa dos direitos e da dignidade das mulheres.
E talvez seja justamente aí que esteja o maior desafio da sua nova caminhada: fazer com que a voz que se ouviu nas manifestações continue a ser ouvida dentro das instituições, mas desta vez acompanhada de propostas e resultados.
Jornalista Siona Júnior