
O engenheiro Ngola Kabango, antigo alto dirigente da ELNA, braço armado da FNLA, considera vergonhoso que ainda existam dirigentes angolanos incapazes de reconhecer publicamente os principais obreiros da independência nacional. O nacionalista defende, por isso, a construção de uma estátua em homenagem a Holden Roberto, Agostinho Neto e Jonas Savimbi, como forma de reconhecimento e reposição da verdade histórica do país.
Ao intervir durante a comemoração dos 64 anos da fundação da ELNA, realizada no dia 16 de Agosto, no Complexo 15 de Março, no município dos Mulenvos, Ngola Kabango afirmou que a Associação dos Antigos Combatentes continua a lutar pela dignificação daqueles que participaram na luta de libertação nacional. O antigo dirigente da ELNA entende que os cuidados e a dignificação dos antigos combatentes por parte do Estado não devem ser vistos como uma oferta, mas como um reconhecimento devido a quem participou na luta pela independência de Angola.

Ngola Kabango lamentou igualmente que, passadas várias décadas, muitos dirigentes angolanos continuem incapazes de dizer claramente quem foram os obreiros da independência nacional. Sem pretender abrir feridas do passado, o nacionalista garantiu que continuará a denunciar aquilo que considera serem políticas tortas e versões que distorcem a história de Angola.
A proposta de criação de uma estátua com as figuras de Holden Roberto, Agostinho Neto e Jonas Savimbi surge, segundo Ngola Kabango, como uma forma de valorizar a contribuição das diferentes correntes da luta de libertação e promover uma memória histórica mais abrangente entre os angolanos.
Por sua vez, o secretário de Estado do Ministério da Defesa Nacional para os Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, tenente-general na reforma Artur de Oliveira, reconheceu que os antigos combatentes da ELNA não podem ser lembrados apenas em datas comemorativas. O responsável defendeu que o reconhecimento deve traduzir-se em medidas concretas de inserção social, habitação, assistência médica e outras condições que contribuam para melhorar a qualidade de vida dos veteranos.
Artur de Oliveira participou na cerimónia de comemoração dos 64 anos da fundação da ELNA, onde esteve ao lado de Ngola Kabango. O encontro serviu para recordar o percurso dos antigos combatentes e reforçar o debate sobre a necessidade de preservar a memória histórica da luta de libertação nacional e garantir maior dignidade aos seus protagonistas.
Jornalista Siona Júnior (BUDA)