
A Diocese de Ondjiva celebrou, neste domingo, 9 de Agosto de 2026, o Jubileu de Prata, pelos 25 anos da presença da Infância e Adolescência Missionária, IAM, numa cerimónia marcada por festa, fé e um forte apelo à oração e à confiança em Deus.
A solene celebração eucarística, realizada na Catedral Diocesana de Ondjiva, reuniu centenas de fiéis e foi presidida pelo Reverendo Padre Jackson Anessa, que, na homilia, centrou a sua reflexão no resgate da vida de oração e na necessidade de os cristãos manterem a confiança em Deus perante as dificuldades e adversidades da vida.
Com uma abordagem dinâmica e próxima da assembleia, o sacerdote começou por questionar o aparente desânimo e a falta de entusiasmo dos fiéis, recordando que a celebração representava uma verdadeira “festa da vida” e das Obras Missionárias Pontifícias. A partir do Evangelho do dia, que apresenta Jesus a subir ao monte para rezar a sós depois de despedir as multidões, o Padre Jackson Anessa destacou Cristo como o verdadeiro “Mestre da oração”, sublinhando que, apesar da intensa actividade e da presença constante das multidões, Jesus nunca deixou de reservar um momento para estar a sós com o Pai.

O sacerdote chamou igualmente a atenção para aquilo que considerou serem algumas das desculpas utilizadas pelos cristãos na actualidade para se afastarem da oração e da vida da Igreja. Entre os exemplos apontados estiveram os compromissos escolares e universitários, bem como a procura pelo sucesso e pelo lucro financeiro, que, segundo o pregador, acabam muitas vezes por ocupar o espaço que deveria ser reservado à relação pessoal com Deus.
Numa comparação com a realidade quotidiana, o Padre Jackson Anessa questionou a ansiedade demonstrada pelas pessoas quando enfrentam falhas nas redes telefónicas ou dificuldades de acesso às redes sociais, como Facebook e WhatsApp, contrastando essa reacção com a facilidade com que alguns cristãos passam semanas sem se ajoelharem para rezar. Para o sacerdote, a oração constitui “a alma do cristão”, defendendo que “quem quer, arranja um jeito; quem não quer, arranja sempre um pretexto”.
Na segunda parte da homilia, o presbítero reflectiu sobre a passagem bíblica em que Jesus caminha sobre as águas ao encontro dos discípulos que se encontravam no barco. Com recurso ao humor e a uma comparação adaptada à realidade local, descreveu a travessia como se fosse “caminhar sobre uma chimpaca” no escuro, procurando transmitir à assembleia o medo e o espanto sentidos pelos apóstolos diante daquela situação.
Ao abordar a reacção de São Pedro, que começou a afundar depois de sentir a força do vento, o Padre Jackson explicou os principais símbolos presentes na passagem bíblica. O mar e os ventos, disse, representam as dificuldades, provações e abalos enfrentados diariamente pelas pessoas, enquanto o barco simboliza a Igreja, conduzida e sustentada por Cristo.
A falta de fé foi igualmente associada ao desespero humano diante dos fracassos sucessivos, como as dificuldades de encontrar emprego ou as tentativas falhadas de ingresso no ensino superior. Segundo o sacerdote, estas situações podem alimentar o medo e a sensação de abandono, mas não devem levar o cristão a perder a confiança em Deus.
Ao concluir a reflexão catequética, o Padre Jackson Anessa exortou os fiéis, particularmente as crianças e adolescentes missionários, a não se deixarem dominar pelo medo ou pelas dificuldades da vida, mas a permanecerem firmes na fé e na oração, recordando as palavras de Jesus aos discípulos: “Tende confiança! Sou Eu, não temais.”
Jornalista Anselmo Leite – Rádio Ecclésia.
Fotos: Crisandro Ileni