Quinta-feira, Dezembro 18, 2025

CNJ CONVOCA ASSEMBLEIA ELETIVA PARA AGOSTO DE 2026; FRANCISCO TEIXEIRA, DO MEA, PREPARA CANDIDATURA À LIDERANÇA DO CONSELHO NACIONAL DA JUVENTUDE

Convocação antecipada expõe tensões e pressiona grupos internos

Por: apostolado
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O Conselho Nacional da Juventude (CNJ) confirmou a realização da Assembleia Eletiva para agosto de 2026, abrindo oficialmente o processo que deverá redefinir a liderança da maior plataforma de representação juvenil de Angola. Entre os nomes que surgem com força na corrida interna está o de Francisco Teixeira, atual coordenador do Movimento Estudantil de Angola (MEA), que segundo fontes internas pretende disputar a presidência do conselho.

 

Convocação antecipada expõe tensões e pressiona grupos internos

 

A confirmação da assembleia, que consta de uma circular interna enviada às organizações filiadas e revelada à reportagem, acelerou articulações que vinham sendo conduzidas discretamente desde o final de 2024.

 

Levantamento feito pela reportagem com base em relatórios associativos, atas de plenárias anteriores e indicadores de participação juvenil mostra que a disputa de 2026 ocorre num momento de forte cobrança por renovação dentro do CNJ.

 

Segundo uma análise compilada a partir de consultas realizadas com cerca de 22 associações filiadas, ao menos 14 delas veem a eleição como “um marco decisivo para o futuro político-organizacional da juventude angolana”.

 

Associações aplaudem a iniciativa — e sinalizam disputa aberta

 

Das entidades ouvidas, várias organizações membro do CNJ reagiram publicamente à convocação antecipada.

 

Entre as manifestações registradas pela reportagem:

 

A Liga Juvenil para a Cidadania Activa (LJCA) considerou a convocação “um exemplo de maturidade democrática e de respeito pelos ciclos internos”.

 

O Fórum das Associações Comunitárias Juvenis (FACJ) afirmou que a decisão “reforça a transparência e reduz improvisações que historicamente prejudicam os processos internos”.

 

A Plataforma Nacional de Liderança Juvenil (PNLJ) comemorou a antecipação como “um gesto de organização institucional raro e necessário”.

 

Embora nenhuma das associações tenha declarado apoio a um candidato específico, todas reconhecem que a entrada de Francisco Teixeira no processo reestrutura o equilíbrio de forças.

 

Quem é Francisco Teixeira — e por que sua candidatura mexe com o sistema

 

Francisco Teixeira tornou-se figura de destaque entre organizações juvenis ao defender reformas nos processos de gestão interna, com foco em transparência, estatutos mais rígidos e prestação de contas anual obrigatória.

 

O MEA, organização que Teixeira dirige, produziu entre 2022 e 2024 cinco relatórios temáticos sobre:

 

fragilidades em mecanismos de monitorização de projectos da Educação em Angola, discrepâncias na execução de fundos para iniciativas juvenis,inconsistências em dados de filiação, denúncias de sobreposição de mandatos, e falta de auditorias externas.

 

Alguns dos documentos, que circularam entre organizações filiadas, foram recebidos como um ataque direto a práticas consideradas arraigadas, e, segundo fontes, é isso que torna sua possível candidatura tão disruptiva.

 

Dados internos revelam clima de desgaste administrativo

 

Um mapeamento interno ao qual a reportagem teve acesso indica que:

 

63% das associações filiadas consideram “urgente” a revisão dos critérios de representatividade dentro do CNJ; 41% dizem não ter recebido relatórios financeiros actualizados nos últimos dois anos;

 

e 37% relatam dificuldades de comunicação regular com a actual direcção.

 

Esses números alimentam o discurso reformista do MEA e explicam, segundo analistas consultados, a rápida ascensão do nome de Teixeira na disputa.

 

Bastidores indicam formação de blocos rivais: Grupos mais próximos da actual direcção preferem manter neutralidade pública por enquanto, mas fontes ouvidas pela reportagem admitem que há preocupação com a capacidade de Teixeira mobilizar bases jovens independentes — algo raro nas últimas eleições do CNJ.

 

De acordo com um dirigente de uma organização tradicional, ouvido sob condição de anonimato, “não será uma eleição técnica; será uma batalha pelo modelo de juventude que o país quer para a próxima década”.

 

O que esperar até agosto de 2026

 

O regimento eleitoral ainda será formalizado, mas previsões apontam que:

 

Debates temáticos devem iniciar já no primeiro trimestre de 2026;

 

O CNJ poderá exigir planos de governação detalhados dos candidatos; e a fiscalização de observadores independentes deverá aumentar, fruto das críticas acumuladas nos últimos ciclos eleitorais.

 

Se confirmada, a candidatura de Francisco Teixeira deverá colocar na mesa propostas de auditorias anuais, rotatividade interna de cargos e centralização de dados de projectos, elementos que devem tensionar ainda mais o ambiente pré-eleitoral.

Em actualização

Jornalista Siona júnior

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