
A necessidade de transformar os discursos sobre a paz em acções concretas marcou a reflexão em torno da II Conferência Nacional Ecuménica, realizada no quadro da Bienal de Luanda, Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz, que defende o reforço do diálogo, da reconciliação e da convivência pacífica em Angola.
Subordinada ao lema “O Resgate dos Valores Morais, Cívicos e Religiosos em Angola”, a conferência destacou o papel das instituições religiosas na orientação moral da sociedade e na prevenção de conflitos, num contexto em que persistem desafios relacionados com a intolerância, a exclusão social e o enfraquecimento dos valores cívicos.
O evento contou com a presença do ministro da Cultura, Filipe Zau, do vice-governador de Luanda para o Sector Político e Social, Manuel António Gonçalves, bem como de representantes do corpo diplomático, da sociedade civil, da academia e de diferentes confissões religiosas.
Jornalista Siona Júnior
Apesar da importância destas iniciativas, a promoção de uma cultura de paz exige compromissos que ultrapassem os encontros institucionais. A articulação entre o Estado, as igrejas e as organizações da sociedade civil deve traduzir-se em programas permanentes de educação cívica, prevenção da violência e apoio às comunidades.
A consolidação da paz em Angola depende, assim, da capacidade de transformar as reflexões da Bienal em resultados concretos, com maior justiça social, respeito pelos direitos dos cidadãos e responsabilidade das instituições. Afinal, a paz não se constrói apenas com discursos, mas com atitudes, oportunidades e acções que promovam a dignidade humana.