
A chegada de Papa Leão XIV a Angola foi marcada por um discurso solene do Presidente da República, que sublinhou a importância histórica, espiritual e diplomática da visita. O Chefe de Estado angolano deu as boas-vindas ao líder da Igreja Católica em nome do povo, destacando o entusiasmo e a profunda devoção dos fiéis no país.
No pronunciamento, o Presidente enfatizou que esta é a terceira visita de um Sumo Pontífice a Angola, classificando o momento como um reflexo das relações duradouras entre o Estado angolano e a Santa Sé. Segundo afirmou, os laços entre ambas as partes têm sido fundamentais para o reforço do diálogo institucional e para o desenvolvimento de iniciativas sociais em áreas como saúde, educação e combate à pobreza.
O discurso resgatou ainda marcos históricos das relações entre Angola e o Vaticano, como a missão diplomática de António Manuel Nsako Ne Vunda no século XVII, evidenciando a longa tradição de intercâmbio entre as duas realidades.
Ao abordar o papel da Igreja Católica, o Presidente defendeu um maior envolvimento da instituição como parceira social do Estado, sobretudo na promoção do bem-estar das populações mais vulneráveis. Citando princípios da exortação apostólica Dilexi Te, destacou a necessidade de escolhas concretas em favor dos pobres e marginalizados.
No plano interno, o governante reiterou o carácter laico do Estado angolano, assegurando a liberdade religiosa e a convivência pacífica entre diferentes confissões. Ressaltou também a relevância do catolicismo no país, bem como iniciativas em curso, como a construção da Basílica de Nossa Senhora da Muxima, destinada a acolher peregrinos em melhores condições.
A intervenção presidencial ganhou contornos internacionais ao abordar os conflitos globais. O Presidente manifestou preocupação com o aumento das guerras e apelou ao fim imediato das hostilidades, com destaque para a situação no Médio Oriente. Defendeu soluções baseadas no diálogo e no respeito pelas normas do comércio internacional, rejeitando o uso da força para acesso a recursos naturais.
Dirigindo-se diretamente ao Papa, pediu que este continue a desempenhar o seu papel como mediador global e promotor da paz, incentivando líderes mundiais a privilegiarem a justiça, o entendimento e a cooperação entre nações.
A cerimónia de recepção reuniu representantes de diversos sectores da sociedade angolana, incluindo membros do Governo, deputados, líderes religiosos e diplomatas, num momento simbólico que reforça a ligação entre fé, política e diplomacia no país.
A visita de Papa Leão XIV deverá incluir encontros pastorais e institucionais, sendo aguardada com grande expectativa pelos fiéis e pela sociedade angolana em geral.
Jornalista Siona Júnior