Quarta-feira, Novembro 26, 2025

VIAJAR PARA A PROVÍNCIA DE CABINDA É MAIS DIFÍCIL DO QUE VIAJAR PARA CABO VERDE, SÃO TOMÉ OU ÁFRICA DO SUL.

Um desrespeito que se tornou rotina

Por: apostolado
0 comentário

E, para muitos cabindenses, essa frase deixou de ser exagero há muito tempo — tornou-se um retrato fiel da negligência, do desrespeito institucional e da ausência total de prioridade política.

 

Nas últimas semanas, a falta de voos privados e a instabilidade quase permanente das operações da TAAG voltaram a expor uma realidade que o governo insiste em ignorar: Cabinda continua tratada como destino secundário, sem a mínima consideração pelas necessidades de mobilidade dos seus habitantes, empresários e funcionários públicos que dependem do transporte aéreo para manter a vida económica e social da província.

 

Um desrespeito que se tornou rotina

 

A TAAG, companhia aérea de bandeira, opera como se a ligação a Cabinda fosse um favor e não uma obrigação estratégica. Cancelamentos de última hora, atrasos crónicos, overbooking e ausência de alternativas têm provocado situações humilhantes para os passageiros. Famílias impedidas de viajar, profissionais que perdem compromissos, doentes que não chegam a tempo de receber cuidados — a lista de consequências é longa, dolorosa e conhecida.

 

Mais grave ainda: a quase inexistência de voos privados, que poderiam aliviar a pressão sobre a rota e garantir maior previsibilidade, agrava o caos. Empresas desistiram de operar devido à burocracia, falta de incentivos e ausência de vontade política para abrir o mercado. Cabinda continua isolada, enquanto outras rotas internacionais são priorizadas com facilidade desconcertante.

 

Um governo que não reconhece a importância estratégica de Cabinda

 

Apesar de ser uma das províncias mais ricas do país, contribuindo há décadas de forma decisiva para o orçamento nacional, Cabinda continua fora do centro das decisões. A infraestrutura aeroportuária carece de modernização; a oferta de voos é insuficiente; e os sucessivos governos não apresentam um plano concreto para resolver o problema.

 

A percepção entre muitos cabindenses é clara: falta vontade política. Falta reconhecimento da sua importância económica, cultural e geopolítica. Falta, sobretudo, respeito.

 

Será necessária uma manifestação dos filhos de Tchiowa?

 

Perante o silêncio das autoridades e a contínua deterioração das condições de mobilidade, cresce entre a sociedade civil a ideia de que apenas uma manifestação ampla, organizada e pacífica poderá chamar a atenção do país. Uma demonstração pública da insatisfação dos “filhos de Tchiowa” serviria para recordar ao governo que a paciência se esgota e que Cabinda exige o que sempre deveria ter tido: tratamento digno, soluções concretas e respeito institucional.

 

A luta por voos regulares, seguros e acessíveis não é apenas uma reivindicação logística.

É uma luta por cidadania, dignidade e reconhecimento. Cabinda não pede privilégios — exige aquilo que qualquer província merece. E se o poder continuar surdo, a voz pública pode ser a única forma de quebrar o silêncio.

Assim, será difícil voltar a ver fisicamente a mana Domingas Celestina Daniel, Tio Esquecido, Cristóvão Luemba, Manuel José, Luís Lazaro, Maria Daniel só para citar.

Jornalista Siona Júnior

You may also like

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você está bem com isso, mas você pode optar por não participar, se desejar. Aceitar Ler Mais

Política de Privacidade & Cookies