
A escolha da ativista e líder da oposição venezuelana Maria Corina Machado como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025 não poderia ser mais oportuna — e necessária. Em um cenário internacional marcado por retrocessos democráticos, perseguições políticas e violações sistemáticas dos direitos humanos, o Comitê Norueguês do Nobel envia uma mensagem clara: lutar pela liberdade, mesmo sob risco pessoal extremo, ainda é um valor a ser celebrado e protegido.
Machado, uma das vozes mais firmes contra o regime de Nicolás Maduro, tem enfrentado perseguições, ameaças e bloqueios institucionais há mais de uma década. Em 2023, liderou com ampla vantagem as primárias da oposição, mesmo sendo posteriormente impedida de concorrer nas eleições presidenciais de 2024 — mais uma manobra autoritária de um governo que há tempos já não disfarça sua vocação ditatorial.
Conceder a ela o Nobel da Paz, portanto, é mais do que reconhecer sua trajetória. É denunciar, com o peso simbólico de um dos maiores prêmios do mundo, a repressão imposta por regimes autoritários e a conivência internacional que, por vezes, mantém esses regimes de pé.
É também uma forma de reacender a esperança em milhares de venezuelanos que, dentro e fora do país, veem em Maria Corina uma possibilidade real de mudança. Mesmo impedida, mesmo sob cerco, ela continua sendo a principal referência de oposição legítima no país.
Claro, haverá críticas. Alguns dirão que o prêmio está sendo “politizado” — como se a paz pudesse ser defendida sem tomar partido frente à tirania. Outros questionarão o real impacto de um Nobel na realidade concreta da Venezuela. Mas é preciso entender o gesto em sua dimensão correta: não como um fim, mas como combustível para a continuidade da resistência.
O Nobel da Paz de 2025 não foi dado a uma figura simbólica e distante. Foi dado a uma mulher que não abandonou seu povo, mesmo quando tudo conspirava contra ela. E ao fazer isso, o comitê não apenas homenageia Maria Corina Machado, mas afirma, com força renovada, que a paz verdadeira não se faz sem liberdade.
Jornalista Siona Júnior