
Partidos fracos não podem fazer parte da casa – o aviso é direto, contundente e carregado de implicações. A declaração do atual presidente da coligação, Manuel Fernandes, acende um alerta que vai muito além da disputa interna: expõe o desgaste crescente das estruturas partidárias e a urgência de se repensar o papel das forças políticas no cenário nacional.
Numa democracia madura, partidos são mais do que siglas; são instituições que deveriam refletir projetos sólidos, coerentes e capazes de dialogar com as necessidades do país. Mas, quando se tornam frágeis – seja por falta de representatividade, seja por interesses momentâneos ou disputas internas vazias –, deixam de cumprir sua função essencial. Nesse ponto, a fala de Fernandes não só faz sentido como se torna necessária.
A fragilidade partidária sempre cobra seu preço: instabilidade, rupturas e decisões improvisadas que prejudicam a governança. Ao afirmar que essas siglas “não podem fazer parte da casa”, o presidente toca em uma ferida sensível. Não se trata de excluir por excluir, mas de exigir responsabilidade política num tempo em que a política vive sob suspeita permanente.
Fernandes sabe que alianças sólidas exigem bases consistentes. Uma coligação não se sustenta quando um dos pilares está podre ou mal construído. A advertência, portanto, funciona como um recado interno – mas também como um espelho para todo o sistema partidário: quem não se fortalece, desaparece; quem não se estrutura, não permanece.
No fundo, a mensagem é simples e brutal: não há espaço para improviso na casa da democracia. Se os partidos querem ser levados a sério, precisam agir com seriedade. E talvez seja justamente esse o ponto mais incômodo – e mais urgente – do alerta de Manuel Fernandes.
Jornalista Siona Júnior