
Num momento emotivo, Ousmane Dembelé completou, esta segunda-feira, uma bela história de redenção ao receber das mãos do “Bruxo”, Ronaldinho Gaúcho, a primeira Bola de Ouro na carreira aos 28 anos.
Ousmane Dembelé foi formado no Rennes, onde foi considerado o melhor futebolista jovem da liga francesa em 2015-16.
Seguiu-se o período em que representou o Borussia Dortmund, na Alemanha, tendo sido eleito o calouro do ano, em 2016-17, e tendo feito a estreia na Liga dos Campeões.
Naquela altura, os aspectos que hoje o caracterizam como a agilidade, a aceleração, a capacidade de rematar com ambos pés, a habilidade de finalização, a técnica e a inteligência e a visão do jogo já figuravam no arsenal.
Em 2017, o talento não passou despercebido ao Barcelona. Os blaugrana decidiram pagar 105 milhões de euros ao emblema alemão para libertar Ousmane Dembelé, valor que viria a ascender a 135 milhões. O francês tornou-se à data na segunda contratação mais cara da história do clube.
Por outro lado, o astro brasileiro Neymar rumava para França, onde assinaria pelo Paris Saint-Germain por 222 milhões de euros.
Segundo o site do Barcelona, Ousmane Dembelé esteve no clube por sete temporadas, marcou 40 golos, fez 42 assistências, em 186 partidas oficiais, e ganhou três vezes a La Liga, contudo ficou de fora 119 jogos.
A inconsistência e os rasgos de brilhantismo foram abrandados por diversas paragens.
O francês pode ser tido como um “Ás de Vidro” por conta das debilidades físicas apresentadas.
Para aqueles que estão familiarizados, é uma situação que embora por motivos diferentes faz recordar a personagem do célebre mangá e anime japonesa de futebol, Captain Tsubasa, Jun Misugi ou Julian Ross, que não podia disputar encontros inteiros devido a um problema no coração.
Em 2018, fez parte do plantel que guiou a França à vitória no Campeonato do Mundo frente à Croácia, por 4-2, na Rússia.
Em 2023, o Paris Saint-Germain contratou Ousmane Dembelé, por 50,4 milhões de euros aos catalães, por cinco temporadas.
Na primeira época como jogador dos parisienses disputou 26 partidas oficiais, 17 das quais como titular, marcou três golos, fez oito assistências e conquistou a Ligue 1.
Em 2024-25, a formação comandada pelo técnico espanhol, Luis Enrique, embarcou numa transformação de identidade com as chegadas de João Neves, Désiré Doué e Khvicha Kvaratskhelia. Tridente esse que se juntou a Vitinha, Barcola, Fabián Ruiz, Hakimi, Nuno Mendes, Dembelé e tomou a Europa de assalto com a inédita conquista da liga milionária.
O Paris Saint-Germain tornou-se no segundo clube francês a vencer o troféu, tal como o rival Marselha já o tinha feito em 1992-93.
Em Junho de 2025, Ousmane Dembelé foi nomeado pela UEFA o melhor futebolista da temporada na Liga dos Campeões com 15 encontros, oito golos e seis assistências na conta pessoal.
Para os analistas, a influência e a liderança do futebolista do PSG foi determinante para a referida façanha.
Este ano havia três fortes candidatos a concorrer para a Bola de Ouro, um dos mais importantes galardões individuais do planeta a par do FIFA The Best, dois deles do Barcelona, o jovem prodígio espanhol (Lamine Yamal) e o brasileiro Raphinha que protagonizou igualmente uma grande época pelos culés e o ex-blaugrana, Ousmane Dembelé.
No Théâtre du Châtelet, havia apenas uma certeza o prémio iria parar às mãos de um estreante a ganhar.
O top 10 foi sendo divulgado ao longo da gala, mas a grande surpresa foi a ausência do pódio de Raphinha, que ficou em quarto, enquanto o médio português, Vitinha ficou em terceiro posto.
A tensão estava no ar e os nervos à flor da pele, Lamine Yamal, que já tinha sido distinguido com o prémio de melhor jogador jovem do ano pela segunda época consecutiva, queria a tão cobiçada Bola de Ouro.
Como por obra do destino coube ao lendário futebolista do Barcelona, que também passou pelo PSG, Ronaldinho entregar o galardão a Ousmane Dembelé que desabou em lágrimas.
No agradecimento, houve espaço para lembrar os clubes por onde passou, Messi e Iniesta, a família, o próprio “Bruxo” e toda a equipa técnica e clube que o possibilitou completar a redenção depois de ter enfrentado tantas dificuldades, sendo coroado com a glória que não lhe passava pela mente vir a alcançar.
Com este triunfo, Ousmane Dembelé torna-se no sexto francês a ganhar o prémio da France Football.