
O Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, defendeu, nesta segunda-feira, 12 de Outubro, em Roma, Itália, o reforço da produção agrícola, a inovação tecnológica e a cooperação internacional como factores essenciais para combater a fome e garantir a segurança alimentar no mundo.
Ao intervir no Fórum Mundial da Alimentação de 2026, subordinado ao lema “Inovar Hoje para Alimentar Amanhã”, o Chefe de Estado angolano considerou urgente a adopção de medidas concretas para reduzir a fome e a desnutrição, sobretudo nos países em desenvolvimento.
João Lourenço destacou que, apesar da abundância de alimentos e dos avanços tecnológicos registados em várias regiões do mundo, milhões de pessoas continuam sem acesso a uma alimentação adequada. Entre os principais factores que contribuem para esta realidade, apontou os conflitos armados, as alterações climáticas, as secas, as inundações e as dificuldades técnicas e financeiras que afectam a produção agrícola.
O Presidente angolano defendeu, por isso, uma maior mobilização de recursos, a transferência de tecnologia e a capacitação dos agricultores, sublinhando a necessidade de reforçar a cooperação entre governos, sector privado, instituições científicas e organizações da sociedade civil.
Angola aposta no combate à seca e no desenvolvimento agrícola
No domínio nacional, João Lourenço destacou o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA), avaliado em 4,2 mil milhões de dólares norte-americanos, que abrange as províncias do Cunene, Huíla e Namibe.
Segundo o Presidente da República, o programa prevê a construção de albufeiras para armazenamento de água e centenas de quilómetros de canais de irrigação, com o objectivo de melhorar o abastecimento de água às populações e criar condições para o desenvolvimento da agricultura e da pecuária ao longo de todo o ano.

O Chefe de Estado realçou igualmente a cooperação com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), que tem contribuído para aproximar as zonas de produção, os centros de transformação alimentar e os mercados.
Na sua intervenção, atribuiu também importância às iniciativas Hand-in-Hand e AgroCorredores, consideradas instrumentos relevantes para atrair investimentos, desenvolver o agronegócio e aumentar a competitividade do sector agrícola nacional.
Corredor do Lobito como motor de integração económica
João Lourenço considerou que o Corredor do Lobito representa uma oportunidade estratégica para dinamizar o comércio, estimular a criação de indústrias e estabelecer novas cadeias regionais de valor, ligando os produtores aos mercados africanos e internacionais.
Para o Presidente angolano, o desenvolvimento de infra-estruturas constitui uma condição fundamental para aproveitar o potencial agrícola de África, que dispõe de extensas terras aráveis e abundantes recursos hídricos.
O estadista defendeu ainda maior investimento na formação dos jovens, na modernização das técnicas de produção e na valorização dos conhecimentos tradicionais, com vista ao aumento da produtividade agrícola, da qualidade dos produtos e das exportações.
Angola apresenta Josefa Sacko para a liderança da FAO
Durante o fórum, João Lourenço anunciou também a intenção de Angola, concertada com a União Africana, de apresentar a engenheira e embaixadora Josefa Leonel Correia Sacko como candidata ao cargo de directora-geral da FAO.
O Presidente destacou a experiência da diplomata angolana, que exerceu funções de secretária-geral da Organização Inter-Africana do Café e de comissária da União Africana para a Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável, entre 2017 e 2024.
João Lourenço manifestou confiança na capacidade de Josefa Sacko para contribuir para o fortalecimento da segurança alimentar, tanto em África como a nível mundial, apelando ao apoio dos participantes à sua candidatura.
O Fórum Mundial da Alimentação reúne representantes políticos, instituições científicas, organizações internacionais, investidores e associações juvenis para debater soluções inovadoras destinadas a transformar os sistemas alimentares e promover um desenvolvimento agrícola mais sustentável, inclusivo e resiliente.