Sábado, Abril 5, 2025

DOM LUZIZILA KIALA, ARCEBISPO DE MALANGE ALERTA PARA FALTA DE PAZ EM ANGOLA 23 ANOS DEPOIS DO FIM DA GUERRA, DESTACNDO CALUNIA POLITICA E INJUSTIÇAS SOCIAIS COMO OBSTÁCULOS A RECONCILIAÇÃO NACIONAL

Seus adversários enganavam-se ao prestar culto a um Deus diferente daquele anunciado por Jesus.

Por: apostolado
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Amados irmãos e irmãs, Nosso Senhor Jesus Cristo, na medida em que avançava no seu ministério, levantou-se muitas barreiras por parte de seus adversários que sentiam-se questionados por ele e não sabiam como enfrentá-lo na base do diálogo.

A decisão de matar Jesus visava eliminar o mal pela raiz e seria uma maneira de fazer calar para sempre aquela voz incômoda, banindo-o do meio do povo. Recorrendo à violência, os adversários de Jesus pensavam resolver um problema com o qual recusavam defrontar-se.

 

É possível de Deus fazer-se presente na história humana, na pessoa de um homem? Apesar de tudo isto, Jesus não se deixou levar pelo medo, mas antes sempre foi corajoso para enfrentar-se com quem ameaçava tirar-lhe a vida.

Diante do templo de Jerusalém, Jesus pôs-se a pregar abertamente, mostrando a sua condição de enviado do Pai, ou seja, a sua condição divina. A sua pregação derrubava o orgulho de seus adversários, pois ele quem tinha o verdadeiro conhecimento do Pai.

 

Seus adversários enganavam-se ao prestar culto a um Deus diferente daquele anunciado por Jesus.

Por isso, a atitude correta era de converter-se ao Deus de Jesus, deixando de lado a violência inútil.

Irmãos, estamos a celebrar há 23 anos este Dia Nacional de Paz e de Reconciliação.

Este Jesus Cristo é o verdadeiro Príncipe da Paz.

Na sua pregação proclamou, bem-aventurados, os construtores da paz.

Com o dom da sua vida, quis estabelecer a paz nos corações dos homens e nas estruturas da sociedade.

 

Por isso, o Conselho Vaticano II diz-nos que a paz terrena, nascida do amor do próximo, é imagem e efeito da paz de Cristo, vinda do Pai.

 O próprio Filho encarnado, Príncipe da Paz, reconciliou com Deus pela cruz de todos os homens, restabelecendo a unidade de todos num só povo e num só corpo, extinguiu o ódio e exaltado na cruz, derramou nos corações o Espírito Santo de amor.

A paz é obra de justiça.

 

Bem nos diz o profeta Isaías, a paz verdadeira nasce da justiça. A paz será obra de justiça e o fruto da justiça será a tranquilidade e a segurança para sempre.

Portanto, a paz não é só a ausência da guerra, nem se reduz ao equilíbrio entre forças adversas, nem resulta de uma dominação despótica devido ao pecado instalado no coração do homem, cuja vontade está ferida e fraca, a paz exige domínio constante das paixões de cada um e a vigilância de autoridade legítima.

 

Mas tudo isto não basta. Esta paz não se pode alcançar na Terra a não ser que se assegure o bem das pessoas e que os homens compartilhem entre si livre e confiadamente as riquezas do seu Espírito Criador, segundo a vontade do Pai.

Há 23 anos de paz, porém, também podemos notar como que a ausência de paz faz-se sentir continuamente na luta entre partidos e associações, na mentira e na calúnia política para derrubar os inimigos, na fraude e na injustiça.

 

Notamos ainda problemas graves que hoje enfrentamos, tais como o desemprego, a falta de habitação digna, a fome, o analfabetismo, a inadequada distribuição de bens, a ambição ao poder, os egoísmos coletivos vão gerando mal-estar, semeando divisões dentro de grupos.

E não sei das famílias a falta de amor e compreensão, a falta de ajuda e aceitação, de disponibilidade de diálogo, escuta atento ao outro, vão gerando situações de conflito, de injustiça, de insatisfação progressiva.

O abismo de gerações, a falta de aceitação dos mais velhos, a falsa noção da liberdade são outros tantos males que não semeiam a paz, amor, concórdia e justiça.

 

Por isso, é urge construir, edificar, fazer crescer, semear uma vida nova. Temos, sim, necessidade de reconciliação.

Se alguém está em Cristo, diz São Paulo, é uma nova criatura. Passou o que era antigo, velho, eis que se faz o novo.

Tudo isto vem de Deus, que por meio de Cristo nos reconciliou consigo e nos confiou o ministério da reconciliação.

 Assim escutamos no domingo passado.

 

Porém, nesta hora, notamos que ainda alguns angolanos ainda não desistiram dos maus sentimentos, das rivalidades familiares, políticas, religiosas, que os dividem.

Por isso, o tempo de quaresma oferece uma preciosa oportunidade para a nossa renovação e reconciliação com Deus e com os irmãos.

Isto, apóstolo, convida justamente a abandonar os hábitos do homem velho, revestir-se do homem novo numa perfeita reconciliação com Deus, que passa necessariamente pela reconciliação com o irmão, com a irmã.

 

A reconciliação com os irmãos é a condição para reconciliar-te com Deus. E assim, o Senhor mesmo a diverte, no Evangelho, não de hoje.

Se fores, portanto, apresentar uma oferta sobre o altar e ali te recordar de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do Senhor, do altar, e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão.

Estas palavras, o Senhor quis fazermos compreender que se não estamos unidos com os irmãos, não podemos participar da sua oferenda.

Jesus na missa convide-nos a vivermos reconciliados e em paz com todos.

Por isso, sentimos a necessidade urgente de uma reconciliação autêntica.

 

Mas, quais os homens novos que precisamos hoje em Angola? Precisamos primeiro, os próprios cristãos, nós, que devemos ser renovados por dentro e por fora. Se estamos em Cristo, ou seja, se somos cristãos, temos que ser nova criatura.

E se somos nova criatura, não podemos alimentar costumes antiquados, próprios do homem velho.

 Quando falamos de costumes, tu dizes ódios, invejas, ressentimentos, indignos do homem novo, criado em conformidade com Deus, na justiça e na santidade verdadeiras.

Nós, os cristãos, seremos homens novos se nos tornarmos fermento de reconciliação e unidade entre todos os irmãos.

 Seremos homens novos se fizermos da nossa vida modelo de respeito pelos direitos do homem.

 

Seremos homens novos se levarmos aos que sofram alívio da nossa ajuda e do nosso fraterno.

Seremos homens novos se impregnarmos o tecido da nossa sociedade, do espírito, do evangelho, daí estão as bem-aventuranças. Porém, Angola precisa também de famílias renovadas.

As nossas famílias, se querem ser renovadas, sejam bem-unidas e indissolúveis.

Hoje, a facilidade com que muitos cônjuges violam o seu compromisso de amor mútuo, acabando na separação, faz pensar que se uniram por motivos estranhos ao verdadeiro amor. E que de pouco vale para eles a fidelidade dos compromissos assumidos.

 

Muitas crianças, que acusadas de precoce e delinquência vagueiam pelas nossas cidades, são fruto do amor a conjugal violado e de consequentes lares desfeitos.

Angola também precisa de políticos novos. És outra agência essencial de uma Angola renovada.

Políticos novos são aqueles que se comprometem com o quanto prometem e sabem orar os seus compromissos perante a nação e o mundo.

Políticos novos que não procuram o serviço do povo, mas tão somente servir o povo com os olhos postos ao bem comum nos interesses da nação.

A reconciliação a nível social contribui para a paz.

 

A reconciliação ultrapassa a crise, restabelece a dignidade pessoal e abre o caminho ao desenvolvimento e à paz duradoura entre as pessoas a todos os níveis.

Ela restabelece também a união dos corações e a vida em comum. Graças à reconciliação as pessoas que pediram e deram o perdão curaram a sua memória.

 As famílias divididas puderam conviver novamente em harmonia. Cabe a nós, cidadãos, e aos nossos governantes o reconhecimento dos valores da fraternidade e a promoção de todo tipo de iniciativas que contribuam para a reconciliação e a sua implementação de forma estável e permanente em todos os níveis da sociedade.

O que fazer para que haja esse clima? Então há que promovermos uma cultura da paz.

 

Um modo próprio de viver de paz. A falta de amor ou afeto é ainda mais dolorosa nos setores vulneráveis de nossa sociedade. Entre as crianças e os jovens a vida parece vazia quando os nossos corações estão fechados.

Por isso, educar para a paz exige o exercício de compaixão. O nosso meio ambiente tem sido muito agredido. Da mesma forma estão adoecidas a intruvidade humana e as relações entre as pessoas.

 

Por isso, urge a educação para a paz. Esta educação preocupa-se em minimizar essas dores que temos. Tem-se de reconhecer que a paz não é uma questão tanto de estruturas como sobretudo de pessoas.

Sem dúvidas que as estruturas, os mecanismos de paz jurídicos, políticos, econômicos, são necessários.

E muitas vezes, felizmente, existem mas constituem apenas o fruto da sabedoria e da experiência acumulada pelos inumeráveis gestos de paz realizados por homens e mulheres que souberam sem nunca ceder ao desânimo. Gestos de paz nascem da vida de pessoas que cultivam constantemente no espírito atitudes de paz.

 

Gestos de paz são possíveis quando as pessoas têm em grande apreço a dimensão comunitária da vida, valorizando a vida podendo assim perceber o significado e as consequências que certos acontecimentos têm para a sua própria comunidade e para o mundo inteiro.

Gestos de paz criam uma tradição e uma cultura de paz. Nós apenas, 23 anos de paz, temos que criar uma cultura, uma tradição um modo de vida próprio da paz mas com gestos práticos.

 

Por isso sempre o Senhor apelou para nós a construção da paz proclamando felizes os seus obreiros felizes os seus construtores.

Não podemos cruzar os braços, ficar indiferentes deixar a correr, deixar a andar é necessária a audácia evangélica daqueles que possuem o espírito do Senhor construir a paz, obra da justiça irmã gêmea do amor se há paz tem que haver amor e amar quem? amar o compatriota, amar o irmão, irmã começando no seio da família, da escola, do ambiente social nesses lugares todos devem ser premiados da paz então por isso somos todos chamados a assumirmos essa compromisso há jovens, 23 anos, que ainda não têm grande maturidade assim também não estamos neste construirmos a paz, mas com a colaboração de todos por isso, quem roubava não rouba mais quem violava não viola mais procuramos todos sermos obreiros de uma paz verdadeira em que todos se sintam em casa e tenham o que é necessário obreiros de uma paz que não se traduz só nos tratados que fica só no papel e que não resultam no concreto assumamos neste aniversário atitudes e gestos concretos de reconciliação sejamos construtores da paz amém e espero pela tua salvação quando de ti o Senhor me refugio não tenho menos de que me vergonhar o meu espírito em tuas mãos entrego.

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