
O Director da Escola Primária do Campismo 3105, Pedro Quinanga, está a ser alvo de fortes críticas por parte dos encarregados de educação, que o acusam de impor cobranças ilegais às famílias para financiar despesas internas da instituição. A escola, localizada no município do Hoji-ya-Henda, em Luanda, acolhe mais de 5.000 alunos, desde a iniciação até à 7.ª classe, e tornou-se palco de um crescente clima de descontentamento.
Segundo denúncias recolhidas no local, o director terá determinado a cobrança de 2.000 kwanzas por aluno para a reabilitação do seu gabinete, justificando que a direcção não dispõe de orçamento público para obras urgentes. Só esta cobrança, aplicada a todos os estudantes, representaria um montante superior a 10 milhões de kwanzas, valor que, segundo os encarregados, nunca foi justificado com transparência.

Além disso, os pais afirmam ainda que Quinanga implementou uma segunda taxa: 1.000 kwanzas por aluno destinados ao abastecimento de água no tanque da escola. Este valor, considerando o universo de estudantes, pode ultrapassar 5 milhões de kwanzas por ciclo de cobrança, sem que haja prestação de contas sobre quantas vezes o tanque é abastecido ou como o dinheiro é administrado.
50 mil kwanzas mensais para combustível do carro do director, alegam encarregados.
Um dos pontos mais polémicos revelados pelos encarregados é a suposta exigência de 50 mil kwanzas mensais para o combustível da viatura usada pelo director. A contribuição seria organizada através da comissão de encarregados, que afirma ter sido pressionada a colaborar “para evitar conflitos” com a direcção da escola.
“Desde que o novo director assumiu a liderança, só ouvimos falar de contribuições. Tudo é pago, até combustível. Isto não é escola pública? Onde está o Estado?”, questiona um encarregado que pediu anonimato por receio de represálias.
Pais falam em abuso de poder; direcção mantém silêncio
Os encarregados consideram que a sucessão de cobranças configura abuso de poder e exigem uma intervenção urgente da Direcção Provincial da Educação de Luanda. Reclamam ainda por uma auditoria para verificar a gestão financeira da instituição, que, apesar de pública, estaria a funcionar com um padrão de financiamento paralelo sustentado pelas famílias.
A reportagem procurou ouvir o director Pedro Quinanga para responder às acusações, mas até ao fecho deste texto não foi possível obter um pronunciamento oficial.