
A escalada da delinquência juvenil no Bairro Campismo, município do Hoji ya Henda, atingiu níveis alarmantes nas últimas semanas. Moradores relatam que pelo menos 40 pessoas ficaram feridas e uma perdeu a vida em episódios sucessivos de violência urbana. Mais de 50 telemóveis foram roubados num curto espaço de tempo, consolidando um ambiente de insegurança que já se estende por todo o território.
A equipa de reportagem do jornal Apostolado, apurou que a Esquadra policial localizada na Rua Nossa Senhora de Fátima, nas proximidades do Centro Médico do Tio Lando, enfrenta sérias limitações operacionais. Segundo fontes internas, não há mais de cinco efectivos disponíveis para actuar em todo o perímetro, número insuficiente para responder ao volume crescente de ocorrências.
Estudantes entre as principais vítimas
Os estudantes do PUNIV e da Escola Primária 3105 estão entre os grupos mais afectados. Diariamente, jovens são alvo de agressões, furtos e ameaças enquanto se deslocam para as aulas. Alguns chegam a abandonar o percurso habitual, escolhendo trajetos mais longos na tentativa de escapar aos focos de violência.
“Já não conseguimos ir à escola tranquilos. A qualquer momento aparece um grupo a exigir telemóveis e mochilas. Quem tentar resistir leva agressão”, relatou um estudante, que pediu anonimato por temer represálias.
Largo do Valsa: um palco permanente de assaltos
O Largo do Valsa tornou-se, segundo moradores, um ponto crítico. Independentemente da hora — manhã, tarde ou noite — grupos organizados actuam em ataques rápidos e violentos. Vendedores ambulantes também relatam perdas frequentes, obrigando muitos a abandonar o local antes do anoitecer.
“O Largo do Valsa já não é lugar de passagem. As pessoas evitam porque sabem que, se não forem furtadas, podem ser agredidas”, afirmou uma moradora que vive há mais de 20 anos no bairro.
População pede reforço urgente
As autoridades tradicionais e associações comunitárias exigem a presença de mais efectivos e meios policiais no bairro. Denunciam igualmente a falta de iluminação pública, pontos escuros que servem de esconderijo para delinquentes, e a ausência de rondas regulares.
Enquanto o reforço prometido não chega, os moradores tentam organizar-se em grupos de vigilância nocturna, embora temam represálias por parte dos mesmos delinquentes que escapam facilmente às fracas estruturas de segurança do bairro.
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