
Município do Hoji Ya Henda — Na Rua Havemos de Voltar, no Bairro Campismo, uma residência abandonada há mais de cinco anos transformou-se num foco grave de lixo, vandalismo e risco sanitário. A situação arrasta-se diante da aparente inoperância da comissão de moradores, enquanto a casa — originalmente habitada por uma família local — tornou-se depósito de resíduos, esconderijo de delinquentes e ameaça directa à saúde da comunidade.

Segundo relatos de vizinhos, o proprietário da residência abandonou a primeira esposa, que permaneceu na casa, ao iniciar uma nova relação e mudar-se para o Bita, levando consigo os filhos. “Depois que ele saiu, a senhora ficou sozinha, começou a apresentar sinais de perturbação mental, e a casa deixou de ter qualquer tipo de manutenção”, contou um morador que preferiu o anonimato.
A ausência prolongada do dono e o estado vulnerável da mulher criaram terreno fértil para que o espaço fosse ocupado por grupos de jovens ligados a pequenos furtos na zona. “Eles usavam ali como esconderijo. Vandalizaram o tecto, partiram portas e janelas. Aquilo virou terra de ninguém”, explicou outro residente.

Com o tempo, o problema agravou-se: munícipes do Nguanha, bairro vizinho, começaram a depositar lixo no local, transformando a casa num verdadeiro aterro sanitário improvisado. Hoje, o espaço acumula resíduos domésticos, entulho e até animais mortos, atraindo mosquitos, moscas e roedores. “O cheiro é insuportável. Temos crianças aqui perto. É uma bomba-relógio para doenças”, denuncia uma moradora da mesma rua.
Apesar dos repetidos apelos, a comissão de moradores do Campismo não tomou qualquer medida concreta para resolver o problema. Nem limpeza, nem vedação, nem acção junto às autoridades municipais. “Falam que vão resolver, mas nada acontece. Passam anos e continua igual ou pior”, lamenta um dos munícipes.
Especialistas em saúde pública alertam que ambientes semelhantes facilitam surtos de malária, febre tifóide, diarreias graves e outras doenças relacionadas ao saneamento inadequado. Entretanto, sem intervenção institucional, a população continua exposta.
A casa na Rua Havemos de Voltar, outrora um lar, tornou-se símbolo do abandono, da descoordenação administrativa e da falta de resposta comunitária. Enquanto nada é feito, o perigo à saúde cresce, e os moradores do Bairro Campismo aguardam por uma solução que já chega tarde demais.