
Este número, divulgado recentemente pelas autoridades de saúde, não é apenas uma estatística — é um alerta urgente sobre a dimensão real de uma epidemia que continua a crescer de forma silenciosa e preocupante. Apesar dos avanços na prevenção e no tratamento, o vírus mantém um impacto profundo no país, sobretudo em regiões onde o acesso à informação e aos serviços de saúde continua desigual.
As províncias do Kwanza Norte, Cabinda, Cunene e Cuando Cubango destacam-se entre as mais afetadas, registando níveis de contaminação que ultrapassam a média nacional. Em muitas destas zonas, fatores como mobilidade populacional intensa, práticas culturais, fraca cobertura dos serviços de saúde e elevado índice de pobreza criam um terreno fértil para a propagação do vírus. A situação torna-se ainda mais crítica quando se considera que grande parte das novas infeções ocorre entre jovens e mulheres, grupos que enfrentam barreiras adicionais no acesso ao diagnóstico e ao tratamento.
É urgente reconhecer que o combate ao VIH/Sida não pode limitar-se a campanhas esporádicas ou ações isoladas. Exige políticas públicas sólidas, investimentos contínuos e uma estratégia de comunicação que chegue efetivamente às comunidades mais vulneráveis. As províncias com maior taxa de infeção devem receber atenção prioritária, com reforço das unidades de saúde, distribuição regular de medicamentos antirretrovirais e programas de educação sexual baseados em evidências.
A persistência destes números elevados revela não apenas a força do vírus, mas também as fragilidades estruturais do sistema de saúde. A luta contra o VIH/Sida é, sobretudo, uma luta pela dignidade e pelo direito à vida. Ignorar esta realidade é permitir que mais angolanos continuem a ser vítimas de uma doença que, quando enfrentada com responsabilidade e investimento, pode ser controlada.
Angola tem condições para inverter este cenário. Falta apenas transformar a preocupação em ação.
Jornalista Siona Júnior