Terça-feira, Março 24, 2026

TRIBUNAL ARRANCA JULGAMENTO COM ARGUIDOS RUSSOS E ANGOLANOS E DEFESA EXIGE AUDIÇÃO DE FIGURAS POLÍTICAS DE PESO

A sessão, conduzida pelo juiz Gerson Damião, estava inicialmente marcada para as 09h00, mas arrancou apenas às 10h21.

Por: apostolado
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Teve início na manhã desta terça-feira, 24, no Tribunal da Comarca de Luanda, o julgamento do processo-crime n.º 224, que envolve quatro arguidos — dois cidadãos russos e dois angolanos — acusados de crimes graves, incluindo terrorismo e associação criminosa, num caso que já está a gerar forte repercussão política e mediática no país.

 

Entre os arguidos constam os cidadãos russos Igor Rotchin Mihailovich e Lev Matveevich Lakshtanov, bem como os angolanos Oliveira Francisco, conhecido por “Buka Tanda” e secretário para a mobilização da JURA, braço juvenil da UNITA, e Amor Carlos Tomé, jornalista da Televisão Pública de Angola (TPA).

 

A sessão, conduzida pelo juiz Gerson Damião, estava inicialmente marcada para as 09h00, mas arrancou apenas às 10h21. O atraso deu o tom de um dia marcado por intensos debates na fase de questões prévias — etapa em que as partes levantam matérias processuais antes do início da produção de provas.

 

Durante esta fase, as equipas de defesa apresentaram diversos requerimentos, com destaque para o pedido de audição de várias figuras políticas e institucionais de relevo no panorama nacional. Entre os nomes avançados constam os generais Higino Carneiro e Arlindo Lucas Paulo Lukamba, também conhecido por “Gato”, além de Julião Paulo.

 

A lista inclui ainda o presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, o dirigente Manuel Armando da Costa, e o político António Venâncio, todos apontados pela defesa como peças-chave para o esclarecimento dos factos em julgamento.

 

A defesa dos arguidos angolanos, liderada pelo advogado David Guz, solicitou igualmente a convocação de gestores de empresas públicas e entidades estatais. Entre as instituições mencionadas estão a Endiama, Sodiam, Biocom e os Caminhos-de-Ferro de Benguela.

 

Outro nome que consta dos requerimentos é o do governador da província de Malanje, Marcos Nhunga, cuja eventual audição é considerada relevante pela defesa para o enquadramento de determinados elementos constantes do processo.

 

O Ministério Público deverá pronunciar-se sobre os pedidos apresentados, cabendo ao tribunal decidir sobre a pertinência das audições requeridas. A expectativa em torno do julgamento mantém-se elevada, não apenas pela natureza dos crimes em causa, mas também pelo envolvimento indireto de figuras de destaque da vida política angolana.

 

O processo prossegue nos próximos dias, devendo entrar na fase de produção de provas após a decisão sobre as questões prévias levantadas pelas partes.

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