
Um relatório das Nações Unidas declarou hoje o início de uma “era de falência global da água”, pedindo aos líderes mundiais “honestidade, coragem e vontade política” para definir uma nova agenda adequada à realidade.
O relatório “Falência Hídrica Global: Viver para Além dos Nossos Meios Hidrológicos na Era Pós-Crise” defende que os termos “stress hídrico” e “crise hídrica” já não refletem a realidade atual em muitos locais, onde “danos irreversíveis levaram bacias hidrográficas a um ponto de não recuperação”.
O comunicado da ONU, citado pela Lusa, defende que seja reconhecida formalmente a “falência hídrica global” e apela à redefinição de uma nova agenda global da água.
“Este relatório revela uma verdade incómoda: muitas regiões estão a viver para além dos seus meios hidrológicos e muitos sistemas hídricos críticos já estão falidos”, afirma o autor principal, Kaveh Madani, diretor do Instituto de Água, Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas (UNU-INWEH), citado no comunicado.
“Muitas sociedades não só ultrapassaram os limites do seu ‘rendimento’ anual de água renovável proveniente de rios, solos e neve, como também esgotaram as ‘reservas’ de longo prazo em aquíferos, glaciares, zonas húmidas e outros reservatórios naturais”, refere o estudo, divulgado antes de uma reunião de alto nível no início da próxima semana em Dakar, no Senegal, para preparar a Conferência da ONU sobre a Água de 2026, marcada para dezembro.