
O bispo de Portalegre-Castelo Branco, destina a renúncia quaresmal de 2026 às vítimas das tempestades em Portugal e da violência na Terra Santa, propondo um “jejum de palavras” e das redes sociais.
“Deixando-nos inspirar pela bela mensagem do Papa Leão XIV para a Quaresma, poderemos reencontrar-nos com a escuta da Palavra e com o jejum de tudo o que nos impede de comunicar bem”, refere D. Pedro Fernandes, na sua mensagem para o tempo que antecede a celebração da Páscoa.
A nota associa o jejum à necessidade de reduzir o ruído contemporâneo e de criar espaço interior para a gratidão, apontando o impacto negativo da agressividade na comunicação.
“Jejuar é também reduzir tudo aquilo que constitui ruído na nossa vida, equilibrando de modo assertivo os meios de que dispomos para acolher os dons que nos constroem: o Papa sugere-nos um jejum de palavras que ferem e dificultam a comunicação”, indica o bispo de Portalegre-Castelo Branco.
O documento alerta para a utilização excessiva das plataformas digitais, sugerindo que o tempo de qualidade e as relações autênticas devem prevalecer sobre as dependências consumistas.
“Talvez possamos introduzir um ‘menos’ no que se refere ao recurso desenfreado às redes sociais: elas são um recurso valioso”, adverte D. Pedro Fernandes, observando que estas redes “também são tantas vezes usadas num excesso que pode ir até ao ponto de não nos libertarem para relações mais autênticas”.
Relativamente à dimensão solidária da Quaresma, a diocese definiu dois destinos prioritários para a recolha de donativos nas comunidades paroquiais.
“Proponho que a nossa renúncia quaresmal se oriente para uma partilha, distribuída em partes iguais, para duas finalidades: o fundo social diocesano, que socorrerá as situações de pobreza e calamidade” e “as vítimas da pobreza e da violência na Terra Santa”, indica o responsável.
A verba destinada ao Médio Oriente será enviada através do Patriarcado Latino de Jerusalém para apoiar Gaza e outras regiões da Palestina.
A mensagem exorta ainda ao cultivo da mansidão perante um mundo caracterizado pela violência da linguagem e pela indiferença perante o próximo e o imigrante.
“Menos agressão, mais esmola de mansidão, gentileza e hospitalidade, na linha do que também nos pede o Papa na sua mensagem”, conclui D. Pedro Fernandes.
A Quaresma de 2026 tem início esta quarta-feira, com a celebração de Cinzas.
A renúncia quaresmal é um gesto associado às práticas tradicionais da esmola e do jejum, no qual os fiéis abdicam da compra de bens ou serviços habituais, reservando esse dinheiro para finalidades solidárias específicas, indicadas pelo bispo da diocese, durante o tempo de preparação para a Páscoa.
Fonte: Agencia Ecclesia