
Após a significativa visita à Turquia e ao Líbano no final de 2025, o Papa Leão XIV retoma suas peregrinações ao redor do mundo, conforme anunciado hoje pela Sala de Imprensa da Santa Sé. A agenda do primeiro semestre de 2026 prevê uma intensa programação internacional, com destaque para uma viagem de dez dias ao continente africano e duas passagens pela Europa, reafirmando o perfil missionário e diplomático do atual Bispo de Roma.
A primeira etapa será uma visita de um dia ao Principado de Mônaco, em 28 de março, véspera da Semana Santa. Trata-se da primeira Viagem Apostólica de 2026. Leão XIV responde, assim, aos reiterados convites das autoridades monegascas, inicialmente dirigidos ao Papa Francisco e posteriormente renovados a ele próprio. A presença do Pontífice reforça os laços históricos entre a Igreja Católica e o pequeno Estado europeu, tradicionalmente marcado por forte identidade católica.
A viagem mais longa do período ocorrerá de 13 a 23 de abril e terá como destino quatro países africanos. O Papa seguirá os passos de Santo Agostinho na Argélia, visitando as cidades de Argel e Annaba, em um país de maioria muçulmana onde os cristãos representam uma minoria discreta, mas atuante como sinal de diálogo e fraternidade. Em seguida, desloca-se para a República de Camarões, com paradas em Yaoundé, Bamenda e Douala; depois para Angola, passando por Luanda, Muxima e Saurimo; e, por fim, para a Guiné Equatorial, onde visitará Malabo, Mongomo e Bata.
A jornada africana deverá evidenciar contrastes e convergências: da realidade da Igreja em contexto islâmico no Norte da África aos países de maioria cristã na África Subsaariana, onde as comunidades católicas enfrentam desafios sociais, econômicos e humanitários, mas mantêm um vibrante testemunho de fé. Ao longo dos dez dias, estão previstos encontros com autoridades civis, celebrações eucarísticas multitudinárias, reuniões com o clero, religiosos e jovens, além de momentos dedicados ao diálogo inter-religioso.
Encerrando o ciclo de viagens do semestre, de 6 a 12 de junho, Leão XIV visitará a Espanha, com compromissos em Madri e, posteriormente, em Barcelona. Na capital catalã, o Pontífice inaugurará a nova torre da Sagrada Família, que se tornará a mais alta basílica do mundo. A visita coincide com o centenário da morte do arquiteto Antoni Gaudí, iniciado construtor do templo e declarado Venerável Servo de Deus no ano passado, reforçando o reconhecimento de sua profunda espiritualidade.
Ainda em território espanhol, o Papa seguirá de Barcelona para as Ilhas Canárias — destino que já estava no coração de Papa Francisco, como recordou recentemente o cardeal arcebispo de Madri, José Cobo Cano. Nesta etapa, os compromissos incluem visitas a Tenerife e Gran Canaria, com atenção especial às questões migratórias, sociais e pastorais que marcam o arquipélago.
Por meio dessas três viagens, o Papa Leão XIV confirma uma agenda que combina simbolismo histórico, proximidade pastoral e sensibilidade geopolítica. Do diálogo com o Islã no Norte da África à vitalidade das Igrejas africanas, passando pelo patrimônio espiritual e cultural europeu, o Pontífice projeta uma Igreja em saída, atenta às periferias geográficas e existenciais do mundo contemporâneo.