
Em Malanje, o ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário Oliveira, afirmou nesta quinta-feira que “a transformação digital só fará sentido se for inclusiva”, durante a abertura do IV.º Conselho Consultivo do Sector, sublinhando a necessidade de garantir que os avanços tecnológicos beneficiem todos os cidadãos, sem exceção.
Na sua intervenção, o governante destacou que Angola vive atualmente um momento de profunda mudança de paradigma, impulsionado por tecnologias emergentes como a inteligência artificial, a internet das coisas, o big data e a automação. Segundo explicou, estas ferramentas estão a redefinir economias e sociedades em todo o mundo, criando novas oportunidades, mas também impondo desafios significativos, sobretudo para países em desenvolvimento.
Mário Oliveira referiu que o Executivo angolano está empenhado em criar condições para que o país participe ativamente na nova economia digital, com base em princípios de responsabilidade, inclusão e visão estratégica de longo prazo. Ainda assim, reconheceu que persistem obstáculos relevantes, com destaque para o acesso limitado à internet, uma realidade que continua a afetar milhões de cidadãos em Angola e noutras partes do globo.
Apesar dos constrangimentos, o ministro considerou que os resultados alcançados até ao momento são encorajadores e demonstram que o país segue uma trajetória positiva. Entre os avanços, destacou o cumprimento das metas de cobertura das tecnologias 3G e 4G previstas no Plano de Desenvolvimento Nacional, bem como os progressos consistentes na implementação da tecnologia 5G.
“Atualmente, Angola conta com mais de 28 milhões de subscritores móveis e mais de 16 milhões de utilizadores de banda larga”, salientou, acrescentando que estes números vão além de simples estatísticas. “Representam cidadãos mais conectados, empresas mais dinâmicas e uma economia mais preparada para enfrentar os desafios do futuro digital”, frisou.
Ainda assim, o responsável governamental admitiu que há um longo caminho a percorrer. “Não estamos satisfeitos. Temos consciência de que é necessário fazer mais para melhorar a qualidade dos serviços, reforçar os indicadores do setor e aumentar o seu contributo para o Produto Interno Bruto”, afirmou, defendendo um esforço contínuo para consolidar os ganhos alcançados.
Mário Oliveira reforçou também que o Executivo possui uma visão clara para o setor, centrada na utilização das tecnologias digitais como instrumento estruturante do desenvolvimento nacional. Essa estratégia passa, segundo explicou, pela promoção da inclusão social, pela redução das assimetrias regionais e pela criação de oportunidades concretas para a juventude angolana.
“A transformação digital deve traduzir-se em resultados tangíveis, como mais empregos, maior capacitação técnica, eficiência na governação e melhoria efetiva da qualidade de vida dos cidadãos”, sublinhou. Neste sentido, destacou o reforço de parcerias estratégicas, tanto a nível nacional como internacional, com foco na expansão da conectividade, na inovação tecnológica e na dinamização da economia digital.
Durante o evento, o ministro anunciou ainda o lançamento oficial do Angotic 2026, que decorrerá sob o lema “Na rota da Transformação Digital”. A iniciativa, segundo explicou, afirma-se como uma plataforma central para posicionar Angola no ecossistema digital regional e global, promovendo o intercâmbio de conhecimentos, investimentos e soluções tecnológicas.
Na sua mensagem final, Mário Oliveira enfatizou que a conectividade universal deixou de ser apenas uma meta tecnológica para se tornar uma questão de desenvolvimento, equidade e soberania. Alertou, por outro lado, para os riscos associados ao ambiente digital, como a desinformação e o aprofundamento das desigualdades, reiterando o compromisso do Executivo em assegurar uma transformação digital segura, ética e centrada no cidadão.
“Estamos determinados a garantir que ninguém fique para trás neste processo. A transformação digital deve servir as pessoas e contribuir para uma sociedade mais justa, inclusiva e sustentável”, concluiu.