Segunda-feira, Janeiro 19, 2026

MILITARES ACUSADOS DE INVADIR TERRENOS NA CENTRALIDADE VIDA PACÍFICA SEM DOCUMENTAÇÃO OFICIAL

Os militares, alguns identificados como pertencentes a unidades destacadas na zona

Por: apostolado
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Os militares, alguns identificados como pertencentes a unidades destacadas na zona, estariam acompanhados por indivíduos à paisana, alegadamente ligados à execução da operação. A comissão de moradores da Centralidade Vida Pacífica afirma que tentou dialogar com os responsáveis no terreno, mas as suas reivindicações foram desconsideradas, o que gerou tensão e indignação entre os residentes.

 

“Não nos mostraram nenhum documento, nem explicaram oficialmente o que estava a acontecer. Apenas mandaram sair e começaram a destruir”, relatou um comerciante afetado, que pediu anonimato por receio de represálias.

 

 

Por volta das 7 horas da manhã desta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, militares em viaturas castrenses e tratores pesados invadiram terrenos adjacentes à Centralidade Vida Pacífica, no município do Calumbo, província de Icolo e Bengo, segundo relatos de moradores e comerciantes locais. A operação terá resultado na demolição de vários estabelecimentos comerciais informais, sem que fosse apresentada qualquer documentação oficial da administração municipal.

 

De acordo com testemunhas no local, os comerciantes da conhecida área informal — popularmente chamada de “favela” — foram surpreendidos por uma ação coordenada envolvendo viaturas militares, tratores e agentes fardados, alguns armados, que procederam à remoção forçada das estruturas comerciais. A intervenção terá ocorrido sem aviso prévio e sem a apresentação de ordens escritas ou notificações legais por parte da Administração Municipal do Calumbo.

Os militares, alguns identificados como pertencentes a unidades destacadas na zona, estariam acompanhados por indivíduos à paisana, alegadamente ligados à execução da operação. A comissão de moradores da Centralidade Vida Pacífica afirma que tentou dialogar com os responsáveis no terreno, mas as suas reivindicações foram desconsideradas, o que gerou tensão e indignação entre os residentes.

 

“Não nos mostraram nenhum documento, nem explicaram oficialmente o que estava a acontecer. Apenas mandaram sair e começaram a destruir”, relatou um comerciante afetado, que pediu anonimato por receio de represálias.

Segundo informações recolhidas junto da comunidade, os espaços em causa estariam reservados para a construção de centros médicos do Executivo e outras infraestruturas sociais de interesse público. No entanto, os moradores defendem que, mesmo tratando-se de projetos de utilidade pública, o processo deveria respeitar os trâmites legais, incluindo consulta comunitária, indemnizações justas e comunicação transparente.

 

Dirigindo-se ao Camarada Presidente João Lourenço, os moradores apelam à intervenção das autoridades centrais para averiguar a legalidade da ação e travar o que consideram ser um uso excessivo da força militar em assuntos de natureza civil e administrativa.

 

Até ao momento, a Administração Municipal do Calumbo e as Forças Armadas Angolanas não emitiram qualquer esclarecimento oficial sobre a operação. Especialistas em governação local alertam que a ausência de documentação e o envolvimento direto de militares em demolições civis podem configurar violações dos princípios do Estado de Direito e da gestão participativa do território.

 

A nossa redação continuará a acompanhar o caso.

*Jornalista Adão dos Santos

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