
O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, apresentou aos jornalistas os detalhes da extensa viagem apostólica que o Papa realizará de 13 a 23 de abril pelo continente africano. O itinerário inclui Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial, numa jornada marcada pela riqueza de histórias, culturas e tradições. Ao longo da viagem, o Pontífice discursará em quatro línguas — inglês, francês, português e espanhol — abordando temas como paz, meio ambiente, migração, família, juventude e colonialismo. Segundo o Vaticano, não estão previstas medidas especiais de segurança.
A viagem começa pela Argélia e segue por três países que não recebem a visita de um Papa há cerca de três décadas: Camarões, Angola e Guiné Equatorial. Trata-se da mais longa viagem do pontificado de Leão XIV: quatro países, onze dias e cerca de dez cidades. Em sua terceira viagem apostólica — após passagens pela Turquia, Líbano e pelo Mônaco — o Papa mergulhará em um continente multifacetado, marcado por contrastes e desafios, como conflitos, fundamentalismo e migração, mas também por vitalidade juvenil, diversidade religiosa e esforços contínuos de convivência pacífica.
Um itinerário com raízes históricas
Durante coletiva de imprensa em 9 de abril, Matteo Bruni destacou o caráter histórico da viagem, lembrando que muitos desses destinos não recebem um Pontífice há décadas — e que a Argélia será visitada pela primeira vez por um Papa. Ele recordou visitas anteriores de João Paulo II, Bento XVI e Papa Francisco ao continente africano, sublinhando a continuidade do interesse da Igreja pela região.
“É uma viagem pela riqueza deste grande continente, povoado por diferentes povos e mundos”, afirmou Bruni, ao descrever o sentido mais amplo da peregrinação.
Argélia: fé, memória e diálogo
A primeira etapa leva o Papa à Argélia, terra profundamente ligada ao legado de Santo Agostinho. O Pontífice retorna como peregrino a um território que simboliza tanto as raízes do cristianismo quanto o diálogo inter-religioso entre cristãos e muçulmanos. A visita também evocará figuras como Charles de Foucauld e os mártires da Igreja no país, além de abordar questões contemporâneas como a migração no Mediterrâneo e a exploração de recursos.
Camarões: diversidade e desafios
No Camarões, descrito como “uma África em miniatura”, o Papa encontrará um país marcado por grande diversidade cultural e linguística. Em meio a crises regionais e tensões sociais, Leão XIV destacará o papel das religiões na promoção da paz, incentivará o diálogo social e abordará temas como meio ambiente e desenvolvimento humano integral, em sintonia com os princípios da encíclica Laudato si’.
Angola: esperança e transformação
Em Angola, a visita será centrada na força de um povo jovem e resiliente. Apesar dos desafios ligados à corrupção, à exploração de recursos e às heranças do colonialismo, o país é visto como um espaço de esperança e renovação. Segundo Bruni, Angola representa “uma fonte de inspiração espiritual” e uma “força para a mudança”, onde a fé continua sendo um elemento central da vida social.
Guiné Equatorial: riqueza e potencial humano
A viagem se encerra na Guiné Equatorial, um país rico em recursos naturais e diversidade cultural. Ali, o Papa destacará o papel da Igreja na promoção da paz e da educação, em um contexto marcado por desafios sociais e políticos, mas também por grande potencial humano e cultural.
Comitiva e significado da viagem
A comitiva papal contará com figuras importantes da Cúria, como o cardeal Luís Antonio Tagle e outros responsáveis por áreas-chave como evangelização e diálogo inter-religioso. Não há preocupações extraordinárias com segurança, sendo consideradas suficientes as medidas habituais.
Além dos compromissos oficiais, está prevista a tradicional coletiva de imprensa a bordo do avião papal. Durante a viagem, o Papa também poderá fazer intervenções informais, como já ocorreu em ocasiões anteriores.
A escolha do continente africano reflete, segundo Bruni, a necessidade de dar voz a uma região frequentemente negligenciada no cenário global. Questões como família, juventude, democracia e desafios sociais estarão no centro das reflexões do Pontífice.
Por fim, a viagem incluirá uma homenagem ao Papa Francisco, cujo aniversário de morte será lembrado no dia 21 de abril, durante a permanência de Leão XIV no continente.