A Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, CEAST, manifesta profunda preocupação com os recentes episódios de conflitos, intolerância e violência registados no Uíge, Cazombo e noutras localidades do país, apelando às autoridades e aos cidadãos para que promovam a paz, a justiça e a reconciliação.
Numa Nota Pastoral intitulada “A justiça semeia-se na paz, pelos obreiros da paz”, os bispos católicos consideram que os acontecimentos recentes, marcados por ferimentos graves e tragédias humanas, provocam danos físicos, emocionais e espirituais, além de abalarem o sentido de Nação que os angolanos aspiram construir.
A CEAST sublinha que estes acontecimentos tornam urgente a eliminação das suas causas e a adopção de medidas capazes de evitar a repetição de situações semelhantes. Os bispos expressam, por isso, a sua total repulsa perante os actos de violência e apelam a todos os envolvidos para que contribuam para a construção da paz social.
Os prelados pedem igualmente às autoridades que, orientadas pelo espírito de justiça restaurativa, não meçam esforços para mitigar os impactos dos acontecimentos e reparar as feridas provocadas. Segundo a Nota Pastoral, a justiça restaurativa deve responsabilizar os envolvidos, repor direitos e retirar lições dos acontecimentos, abrindo caminho para relações sociais mais pacíficas.
Num apelo dirigido particularmente aos partidos políticos, a CEAST pede ao MPLA e à UNITA que estabeleçam, nas capitais provinciais, nos municípios e nas comunas, mecanismos céleres e funcionais de resolução de conflitos. Os bispos recordam ainda o apelo de São Paulo: “Irmãos, reconciliai-vos com Deus”, defendendo que a reconciliação é essencial para a construção de uma sociedade assente na paz e na fraternidade.
A Nota Pastoral foi assinada em Luanda, a 31 de Agosto de 2026, pelo Arcebispo de Saurimo e Presidente da CEAST, Dom José Manuel Imbamba, em nome dos Bispos Católicos de Angola e São Tomé.