A histórica Missão Católica de Omilunga/Môngua acolheu a Missa de encerramento do retiro anual do Clero Diocesano de Ondjiva, realizado de 24 a 28 de Agosto de 2026, sob o tema “Seguir a Jesus como Presbítero”. O encontro reuniu 34 sacerdotes da Diocese de Ondjiva, num período dedicado à oração, à meditação da Palavra de Deus e à reflexão sobre a missão sacerdotal.
A Santa Eucaristia foi presidida pelo Bispo Diocesano de Ondjiva, Dom Pio Hipunyati, enquanto a homilia esteve a cargo do Reverendo Padre Alberto Ndakalako, Superior da Missão Católica de Omudiva/Okafima. Na sua reflexão, o sacerdote destacou a importância de uma vida espiritual assente no silêncio, na oração e na análise das atitudes e comportamentos à luz da Palavra de Deus.
Recordando o início do retiro, no passado dia 24 de Agosto, Padre Alberto Ndakalako afirmou que os sacerdotes chegaram à Missão de Môngua/Omilunga provenientes de diferentes comunidades pastorais da Diocese de Ondjiva para fazer uma “paragem obrigatória” e reservar um momento especial de encontro com Deus. Segundo o sacerdote, o retiro permitiu aos participantes dedicar-se à oração e à meditação num ambiente de serenidade e silêncio, sublinhando que “tudo o que é definitivo, tudo o que tem valor, nasce e amadurece no silêncio”.
A celebração coincidiu com a memória litúrgica de Santo Agostinho de Hipona, Bispo e Doutor da Igreja, cuja vida serviu de inspiração para a reflexão sobre a santidade. Padre Alberto Ndakalako apresentou os santos como pessoas que pautaram a sua existência pelos preceitos do Senhor e pela busca das virtudes, destacando Santo Agostinho como um modelo de conversão, responsabilidade e coragem no testemunho do Evangelho.
A partir das leituras do dia, o pregador aprofundou igualmente a dimensão do amor na vida cristã, recorrendo aos ensinamentos da Primeira Carta de São João e à conhecida oração de Santo Agostinho sobre o encontro com Deus. Para o sacerdote, o amor a Deus não pode ser separado do amor ao próximo, uma vez que “quem ama a Deus e odeia o seu irmão é mentiroso”.
Padre Alberto Ndakalako lembrou ainda que, para São João, o amor possui simultaneamente uma dimensão vertical, na relação com Deus, e horizontal, na relação com o próximo. Neste contexto, evocou também São João da Cruz, segundo o qual, “no entardecer da vida, seremos examinados sobre o amor”, relacionando esta mensagem com o ensinamento de Jesus no Evangelho de São Mateus sobre a atenção aos que têm fome, sede e necessidades.
Ao abordar a mensagem do Evangelho, o sacerdote chamou igualmente a atenção para a importância da humildade no exercício do ministério sacerdotal. Recordou as palavras de Jesus, que convida os seus discípulos a não procurarem ser tratados como mestres, porque “um só é o vosso Mestre e vós todos sois irmãos”. Para Padre Alberto Ndakalako, a simplicidade e a capacidade de colocar-se ao nível dos outros constituem uma das maiores expressões do amor cristão.
No final da homilia, o pregador apelou aos sacerdotes para que transformem as reflexões do retiro num compromisso concreto para a vida pastoral. “Comecemos já aqui, agora e para diante, o nosso compromisso de viver o amor, a humildade e a fraternidade”, exortou.
Padre Alberto Ndakalako terminou agradecendo a Deus, ao Superior da Missão Católica de Omilunga/Môngua e à comunidade pelo acolhimento proporcionado aos sacerdotes durante o retiro. O sacerdote pediu ainda as bênçãos de Deus para todos os participantes e invocou a intercessão de Santo António de Lisboa, padroeiro da missão, especialmente para a viagem de regresso dos sacerdotes às suas respectivas comunidades pastorais.
Fotos: Crisandro Ileni
Texto: Jornalista Anselmo Leite – Ecclesia de Ondjiva