O sacerdote Padre Nelson Cotelo afirmou, durante a homilia da missa celebrada na manhã desta sexta-feira, na capela da CESAT, que o amor verdadeiro de Jesus Cristo não se mede por títulos académicos, posições sociais, funções religiosas ou estatuto económico, mas sim pela capacidade concreta de cuidar do próximo, defender a justiça e viver a verdade do Evangelho.
Num ambiente marcado pela reflexão espiritual e pela participação atenta dos fiéis, o sacerdote sublinhou que a mensagem central do cristianismo continua a ser o amor comprometido com os mais vulneráveis. Segundo o padre, Jesus nunca estabeleceu distinções entre pessoas com base nos seus conhecimentos, cargos ou prestígio social, preferindo aproximar-se dos pobres, marginalizados e daqueles que eram esquecidos pela sociedade.
“O amor de Jesus não olha pelos diplomas, pelas funções, pelas doutrinas nem pelo status. Cristo olha para o coração humano e para a disponibilidade de servir”, afirmou o sacerdote durante a celebração eucarística, apelando aos cristãos para abandonarem atitudes de superioridade e indiferença diante do sofrimento alheio.
Na homilia, o religioso chamou igualmente atenção para aquilo que considera ser um dos maiores desafios da actualidade: a distância crescente entre o discurso religioso e a prática concreta da solidariedade. Para o padre, muitas vezes as palavras tornam-se vazias quando não são acompanhadas por gestos de compaixão, escuta e cuidado para com os necessitados.
“A prova do amor não está nas palavras, mas na capacidade de cuidar”, frisou, acrescentando que o verdadeiro discípulo de Cristo é reconhecido pelas suas atitudes e não apenas pela aparência de religiosidade. O sacerdote recordou que o Evangelho convida permanentemente os cristãos a assumirem uma postura activa diante da pobreza, da exclusão social e das injustiças que afectam milhares de famílias.
Ao longo da celebração, o padre reforçou a necessidade de uma Igreja mais próxima das pessoas, sobretudo daqueles que vivem em situação de sofrimento, abandono ou desesperança. Segundo explicou, o compromisso cristão não pode limitar-se aos templos ou aos discursos públicos, devendo manifestar-se em acções concretas de promoção da dignidade humana.
O sacerdote defendeu ainda que a fé autêntica exige coragem para denunciar injustiças e sensibilidade para acolher os que mais precisam de apoio moral, espiritual e material. Para ele, o Evangelho continua actual precisamente porque coloca o amor ao próximo como centro da vida cristã.
Os participantes da missa acompanharam atentamente a reflexão, marcada por fortes apelos à solidariedade, humildade e responsabilidade social. Muitos fiéis consideraram a mensagem um convite à consciência individual e colectiva, sobretudo num contexto em que persistem desigualdades sociais, dificuldades económicas e crises de valores humanos.
A celebração na capela da CESAT decorreu num ambiente de oração e introspecção, tendo o sacerdote encorajado os presentes a transformarem a fé em compromisso diário com a verdade, a justiça e a fraternidade. Para o padre, o testemunho cristão ganha credibilidade quando é capaz de gerar esperança, acolhimento e cuidado verdadeiro pelas pessoas.
No final da homilia, o religioso reiterou que o amor pregado por Jesus Cristo continua a desafiar a humanidade a construir relações mais humanas e solidárias, longe da indiferença e do egoísmo. “O cristão não é chamado a impressionar pelas palavras, mas a testemunhar o amor através das suas obras”, concluiu.