O jornalista Isidro Canganjo foi libertado após permanecer por mais de 24 horas sob custódia das autoridades no município do Calumbo. À saída da esquadra, o profissional agradeceu o apoio de colegas, familiares e cidadãos que acompanharam o caso e permaneceram nas imediações da unidade policial.
Nas primeiras declarações após a libertação, Canganjo afirmou que tomou conhecimento da evolução da sua situação enquanto se encontrava na cela. O jornalista disse ainda que o caso deverá seguir os procedimentos legais, sob orientação do seu advogado.
“Nós fomos simplesmente fazer o nosso trabalho, que era o direito de resposta”, declarou Isidro Canganjo, ao referir-se às circunstâncias que, segundo o próprio, estiveram na origem da sua detenção.
O jornalista optou por não avançar com detalhes sobre o processo, remetendo esclarecimentos adicionais para a sua defesa. Segundo Canganjo, a equipa jurídica deverá apresentar, no momento considerado oportuno, os elementos relacionados com o caso.
Advogado fala em “mal-entendido”
O advogado Jaime MC, que acompanhou o processo, agradeceu igualmente a solidariedade manifestada por jornalistas, familiares e outros cidadãos durante o período em que Canganjo esteve sob custódia.
Segundo o advogado, os jornalistas envolvidos no episódio foram libertados. Jaime MC indicou ainda que deverá ser divulgada posteriormente uma informação oficial com esclarecimentos sobre o processo e os seus próximos passos.
O causídico classificou a detenção como uma medida de natureza provisória e afirmou que, na sua perspetiva, não existiam fundamentos para manter o jornalista privado de liberdade. O advogado sustentou que o episódio terá resultado de um “mal-entendido”.
Solidariedade de jornalistas e cidadãos
Durante a saída de Isidro Canganjo, vários jornalistas e cidadãos concentraram-se no local para manifestar solidariedade ao profissional.
Entre os presentes esteve Tanaice Neutro, que afirmou que o caso deveria ser encarado no âmbito da liberdade de imprensa e do direito dos jornalistas de procurar o contraditório.
Durante as suas declarações, Tanaice Neutro fez também acusações contra um funcionário ligado à administração do Calumbo, identificado como Joelson Gomes. As alegações foram feitas publicamente no momento de solidariedade, mas, nas declarações reproduzidas, não foram acompanhadas de documentação ou provas independentes que permitam confirmá-las.
Caso deverá ter novos esclarecimentos
Após a libertação, Isidro Canganjo anunciou que ele e a sua equipa deverão voltar a pronunciar-se sobre o processo numa fase posterior.
O advogado indicou igualmente que poderá ser divulgada uma nota explicativa pelos órgãos envolvidos, contendo informações adicionais sobre os acontecimentos e os procedimentos que deverão seguir-se.
O episódio voltou a colocar em debate, entre os profissionais presentes, questões relacionadas com o exercício da atividade jornalística, o direito de resposta e o acesso ao contraditório.
Entretanto, os detalhes jurídicos do processo e as circunstâncias exatas que levaram à detenção de Isidro Canganjo deverão ser esclarecidos pelas autoridades competentes e pela defesa do jornalista.
Em atualização.