ZÉ KALANGA REVELA QUE ATUALMENTE TEM DE PAGAR BILHETE PARA VER OS PALANCAS NEGRAS A JOGAR

As declarações do antigo internacional angolano Zé Kalanga voltaram a expor uma realidade que há muito gera desconforto no futebol nacional: a aparente falta de reconhecimento institucional aos atletas que marcaram a história da Seleção Nacional. Durante a sua participação no “Zolacast”, o ex-extremo revelou que, atualmente, precisa comprar bilhete para assistir aos jogos dos Palancas Negras, uma situação que considera normalizada, mas que levanta sérias questões sobre a valorização dos antigos internacionais.

 

“Eu, para ir ver o jogo dos Palancas Negras, tenho que comprar bilhete. O Akuá, sempre que a seleção joga, ele compra o bilhete”, afirmou Zé Kalanga, recordando que nem mesmo jogadores que defenderam Angola em momentos históricos recebem qualquer tratamento diferenciado.

 

As palavras do antigo atleta rapidamente geraram debate entre adeptos e figuras ligadas ao desporto. Para muitos, é difícil compreender que jogadores que ajudaram a elevar o nome de Angola no Campeonato Africano das Nações (CAN) e no histórico Mundial de 2006 sejam tratados como simples espectadores, sem qualquer política de reconhecimento ou integração por parte das entidades responsáveis pelo futebol nacional.

 

A polémica vai além da questão do bilhete. O episódio simboliza um problema estrutural: a ausência de uma cultura de valorização da memória desportiva. Em países onde o futebol é encarado como património nacional, antigos internacionais são frequentemente convidados para eventos oficiais, recebem credenciais permanentes e participam em iniciativas de promoção da modalidade. Em Angola, pelo contrário, muitos afirmam sentir-se esquecidos logo após o fim da carreira.

 

Esta não é a primeira vez que ex-jogadores denunciam o abandono institucional. Ao longo dos últimos anos, várias figuras da geração que representou os Palancas Negras em competições internacionais lamentaram a inexistência de programas de apoio, integração ou reconhecimento. A falta de ligação entre o passado e o presente acaba por enfraquecer a identidade da própria seleção e transmite uma mensagem pouco inspiradora às novas gerações.

 

Embora seja legítimo que os jogos da seleção gerem receitas através da venda de bilhetes, também é legítimo questionar se o país não deveria criar mecanismos para homenagear aqueles que escreveram algumas das páginas mais importantes do futebol angolano. O reconhecimento não representa apenas um gesto de gratidão, mas também um investimento na preservação da história e dos valores que moldaram os Palancas Negras.

 

As declarações de Zé Kalanga reacendem, assim, um debate que vai muito além do preço de um ingresso. Colocam em causa a forma como Angola trata os seus antigos heróis do desporto e desafiam as instituições a refletirem sobre o legado que pretendem construir para o futuro do futebol nacional.

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