A tensão laboral na Empresa Pública de Produção de Electricidade (PRODEL-E.P.) ganha novos contornos, depois de uma mobilização de trabalhadores nas instalações da empresa e da emissão de uma resposta oficial da Direcção de Recursos Humanos às organizações sindicais.
Num documento datado de 10 de Setembro de 2026, a PRODEL confirma ter recebido a comunicação dos sindicatos sobre a necessidade de realização de assembleias de trabalhadores nas diferentes estruturas da empresa.
A empresa afirma reconhecer e respeitar o papel das organizações sindicais na defesa dos interesses dos trabalhadores, mas estabelece que, segundo a interpretação apresentada da legislação sindical, as assembleias poderão ser realizadas nos centros de trabalho onde existam trabalhadores filiados a partir das 15h00 e nas datas previamente agendadas.
A posição da administração surge num contexto de crescente mobilização dos trabalhadores, que se concentram nas instalações da empresa para discutir questões relacionadas com as suas condições laborais e organização salarial.
Sindicatos convocam, PRODEL responde
Na carta dirigida ao Sindicato dos Trabalhadores das Metalúrgicas e Químicas (STMEQ) e ao Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Indústrias de Bebidas e Similares de Angola (SNTBISA), a PRODEL diz manter-se disponível para o diálogo institucional e para apreciar as matérias de interesse comum, “no estrito respeito pela legislação laboral e sindical vigente”.
Apesar do tom institucional da resposta, o documento revela que existe um processo de negociação e reivindicação laboral em curso, com os sindicatos a procurarem reunir os trabalhadores nas várias estruturas da empresa.
As imagens da mobilização mostram dezenas de funcionários reunidos, num ambiente que evidencia forte adesão e organização dos trabalhadores.
Conflito pode ganhar força
O ponto central da disputa está agora na capacidade das partes de encontrarem uma solução para as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores. Enquanto os sindicatos procuram mobilizar as bases, a empresa procura enquadrar as assembleias dentro dos horários e procedimentos cenário coloca pressão sobre a administração da empresa e sobre as organizações sindicais, num momento em que que considera previstos pela legislação.
Até ao momento, o documento divulgado pela PRODEL não confirma, por si só, a existência de uma greve formalmente decretada, mas demonstra claramente a existência de uma movimentação sindical e de trabalhadores em torno de matérias laborais.
O cenário coloca pressão sobre a administração da empresa e sobre as organizações sindicais, num momento em que qualquer falha no diálogo poderá aumentar a tensão e levar a novas formas de protesto.
A pergunta que fica é: haverá acordo à mesa das negociações ou a PRODEL caminha para uma paralisação dos seus trabalhadores?
Jornalista Siona Junior