Família denuncia alegados maus-tratos, administração de medicação inadequada e agravamento do estado clínico da paciente, que acabou por falecer após passagens por outras unidades hospitalares.
A morte da cidadã angolana Luísa Maria Miguel Kingombo está a levantar suspeitas de alegada negligência nos cuidados de saúde prestados no Hospital Heróis de Kifangondo, em Luanda. A família acusa profissionais de saúde daquela unidade hospitalar de administração de medicação alegadamente inadequada, maus-tratos e procedimentos que, segundo os familiares, contribuíram para o agravamento do estado clínico da paciente.
De acordo com o relato da família, Luísa Kingombo dirigiu-se ao Hospital Heróis de Kifangondo, acompanhada pelos filhos, para uma consulta de rotina relacionada com um quadro de paludismo. No entanto, o que deveria ser um atendimento médico de rotina terá terminado numa situação dramática, marcada pela deterioração do seu estado de saúde.
Os familiares alegam que a paciente foi submetida à administração de fármacos que não correspondiam ao seu histórico clínico e à condição que motivou a ida àquela unidade hospitalar. A família sustenta ainda que Luísa terá sido sedada sem necessidade aparente e que, durante o período de internamento, foi vítima de maus-tratos, tendo sido amarrada pelos profissionais de saúde.
Segundo os mesmos relatos, a paciente entrou no hospital a falar e a andar, mas acabou por sair sem conseguir falar nem caminhar normalmente, apresentando hematomas pelo corpo. A família considera que a evolução do quadro clínico levanta sérias dúvidas sobre os procedimentos adoptados durante o atendimento.
Perante o agravamento da situação, os familiares decidiram retirar a paciente do Hospital Heróis de Kifangondo e procurar assistência noutras unidades sanitárias. De acordo com a denúncia, Luísa foi levada para a Clínica Girassol, onde a família afirma ter enfrentado dificuldades financeiras para assegurar a continuidade do internamento.
Os familiares referem que os seis milhões de kwanzas disponíveis não eram suficientes para cobrir os custos necessários à permanência da paciente naquela unidade hospitalar, situação que levou à sua transferência para o Hospital do Prenda.
Apesar das tentativas de obter assistência médica noutras instituições, Luísa Maria Miguel Kingombo acabou por falecer.
A família pretende que sejam esclarecidas as circunstâncias em que ocorreu o atendimento no Hospital Heróis de Kifangondo, nomeadamente a medicação administrada, os procedimentos clínicos adoptados e as razões que terão levado à deterioração do estado de saúde da paciente.
O caso levanta questões sobre a qualidade da assistência prestada aos utentes, o cumprimento dos protocolos clínicos e a necessidade de responsabilização sempre que sejam comprovadas falhas nos cuidados de saúde.
Até ao esclarecimento dos factos, as acusações apresentadas pela família carecem de confirmação independente. A determinação de uma eventual negligência médica, bem como a existência de uma relação directa entre os procedimentos clínicos e a morte da paciente, depende de uma investigação competente, da análise dos registos médicos e de uma avaliação técnico-clínica.
A família pede esclarecimentos e apela à apuração da verdade, para que sejam conhecidas as circunstâncias que envolveram os últimos dias de vida de Luísa Maria Miguel Kingombo e para que eventuais responsabilidades sejam determinadas pelas autoridades competentes.
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