SONANGOL ADMITE REFORÇAR PARTICIPAÇÃO NO BCP E APOSTA NA ENERGIA SOLAR

PCA da petrolífera angolana destaca o valor estratégico dos investimentos em Portugal e aponta o aumento da produção de petróleo e gás, a refinação e a diversificação energética como prioridades da empresa.

 

A Sonangol está aberta à possibilidade de aumentar a sua participação no Banco Comercial Português (BCP), caso o grupo chinês Fosun International decida vender a sua posição na instituição financeira. A informação foi avançada pelo presidente do Conselho de Administração (PCA) da petrolífera estatal angolana, Sebastião Gaspar Martins, em entrevista à Bloomberg News.

 

Segundo o responsável, a Sonangol reconhece o valor estratégico dos seus investimentos no BCP, o maior banco português cotado em bolsa, e na Galp Energia, uma das principais empresas do sector energético em Portugal.

 

Actualmente, a petrolífera angolana detém 19,9% do capital do BCP e uma participação indirecta de aproximadamente 16,9% na Galp Energia.

 

Sobre uma eventual saída da Fosun do capital do banco português, Sebastião Gaspar Martins esclareceu que a Sonangol ainda não tomou qualquer decisão quanto ao eventual reforço da sua posição. O gestor sublinhou que qualquer oportunidade será analisada com base no alinhamento estratégico, nos retornos esperados, nas condições de mercado e na utilização eficiente dos recursos financeiros da empresa.

 

Entretanto, o programa de recompra de acções do BCP poderá obrigar a Sonangol a ajustar a sua participação, de modo a manter-se abaixo do limite de 20%. Uma posição superior a esse patamar exigiria a aprovação do Banco Central Europeu, de acordo com as condições regulatórias aplicáveis.

 

As acções do BCP registaram uma valorização de cerca de 23% desde o início do ano, superando a subida de aproximadamente 15% do índice de referência PSI, da bolsa de Lisboa.

 

Energia solar entre as prioridades estratégicas

 

Para além dos investimentos financeiros em Portugal, a Sonangol mantém como prioridades o aumento da produção de petróleo e gás, a expansão da capacidade de refinação e o desenvolvimento das infra-estruturas energéticas nacionais.

 

A empresa está igualmente a desenvolver projectos de energia solar, numa estratégia orientada para a diversificação da matriz energética angolana, a atracção de parceiros estratégicos e a criação de novas fontes de valor.

 

A aposta nas energias renováveis surge num contexto em que Angola procura ampliar a sua capacidade de produção energética e diversificar as fontes de abastecimento, mantendo o sector petrolífero como um dos principais pilares da economia nacional.

 

A estratégia anunciada por Sebastião Gaspar Martins evidencia, assim, duas frentes de actuação da Sonangol: a valorização dos investimentos internacionais e o reforço da capacidade energética de Angola. O desafio passa por conciliar a rentabilidade dos activos financeiros com os investimentos necessários à modernização e diversificação do sector energético nacional.

Publicações Relacionadas

JOÃO LOURENÇO DEFENDE SUPERAÇÃO DA INSEGURANÇA E DA INSTABILIDADE EM ÁFRICA

CONGRESSOS PARTIDÁRIOS EM ANGOLA: ENTRE A DISPUTA PELO PODER, AS ACUSAÇÕES E A CRISE DE COESÃO INTERNA

BIENAL DE LUANDA: IGREJAS CHAMADAS A REFORÇAR A CULTURA DE PAZ E A RECUPERAÇÃO DOS VALORES MORAIS

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você está bem com isso, mas você pode optar por não participar, se desejar. Ler Mais