A Santa Casa da Misericórdia de Luanda celebrou ontem quatro séculos e meio de existência, numa cerimónia marcada por uma Missa Jubilar presidida pelo Arcebispo de Luanda, Dom Filomeno do Nascimento Vieira Dias. Fundada em 1576, em simultâneo com a cidade de Luanda, a instituição assinalou a efeméride recordando a sua longa história de serviço aos mais necessitados e de promoção da solidariedade.
Durante a celebração, o Arcebispo de Luanda destacou a mística da Santa Casa da Misericórdia, sublinhando que a sua missão constitui uma expressão concreta do amor ao próximo e do compromisso cristão com o bem comum. Na homilia, Dom Filomeno do Nascimento Vieira Dias apresentou a instituição como um património histórico e social ligado ao cuidado dos mais vulneráveis e à defesa da dignidade da pessoa humana.
Com raízes históricas em Lisboa e uma presença antiga em Luanda, a Santa Casa da Misericórdia desenvolveu, ao longo dos tempos, diversas acções de apoio social. Entre as iniciativas associadas à instituição destacam-se a assistência aos mais fragilizados, o apoio hospitalar e o acolhimento de crianças órfãs e abandonadas, numa trajectória marcada pela preocupação com a dignidade e o bem-estar das pessoas.
Na homilia, Dom Filomeno Vieira Dias defendeu ainda que a qualidade de uma sociedade se mede também pela forma como esta trata os seus membros mais vulneráveis. Para o Arcebispo, não basta proclamar valores de solidariedade e fraternidade, sendo necessário traduzi-los em gestos concretos capazes de responder às necessidades das populações e contribuir para a transformação da sociedade.
O Arcebispo de Luanda apelou igualmente a uma maior responsabilidade colectiva, defendendo que a pessoa humana deve permanecer no centro das preocupações sociais. A mensagem deixada durante a celebração reforçou a ideia de que a fé deve conduzir a atitudes concretas de serviço, responsabilidade e compromisso com o bem comum.
A Santa Casa da Misericórdia de Luanda enfrenta, entretanto, desafios relacionados com a necessidade de maior apoio institucional, de novos benfeitores e de parcerias com empresas, particularmente no âmbito da responsabilidade social. Durante a celebração, foi manifestada a esperança de recuperar e desenvolver projectos de assistência social, incluindo estruturas destinadas ao acolhimento e à protecção de crianças e de pessoas em situação de maior vulnerabilidade.
A celebração dos 450 anos serviu também para reconhecer o trabalho de homens e mulheres que, ao longo das gerações, contribuíram para manter viva a instituição e assegurar a continuidade da sua missão. O reconhecimento estendeu-se aos benfeitores, colaboradores e demais intervenientes que ajudaram a preservar uma obra que atravessou séculos de história da cidade de Luanda.
Ao assinalar quatro séculos e meio de existência, a Santa Casa da Misericórdia de Luanda reafirma, assim, a importância do serviço ao próximo como expressão da sua identidade. A mensagem deixada na Missa Jubilar apelou à continuidade deste legado, para que a história da instituição continue a inspirar os cristãos e a sociedade em geral para o compromisso com o bem, a partilha, a solidariedade e a felicidade do próximo.
Jornalista Siona Júnior