A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, defendeu, em Luanda, o reforço da formação especializada dos profissionais, o aprofundamento da cooperação internacional e a adopção de práticas clínicas modernas para melhorar a qualidade da assistência prestada aos doentes queimados em Angola.
A posição foi manifestada durante a cerimónia de encerramento do Seminário Nacional sobre a Abordagem ao Paciente Queimado, promovido pelo Ministério da Saúde, através da Unidade de Implementação do Projecto de Formação dos Recursos Humanos para a Cobertura Universal de Saúde.
Na ocasião, a governante destacou a expressiva participação dos profissionais de saúde e considerou que o encontro permitiu consolidar conhecimentos, fortalecer competências técnicas e preparar melhor as equipas para estabilizar, tratar e encaminhar pacientes queimados, seguindo protocolos científicos e as melhores práticas internacionais.
Sílvia Lutucuta reconheceu os avanços registados no sistema nacional de saúde, mas defendeu que o país deve continuar a elevar os padrões de excelência. Recorrendo a uma analogia, afirmou que Angola “já tem um Ferrari”, mas que o desafio consiste em “colocá-lo na pista da Fórmula 1 e vencer”, objectivo que, segundo disse, exige inovação, actualização permanente dos profissionais e trabalho em equipa.
A ministra destacou igualmente a cooperação estabelecida com especialistas brasileiros, nomeadamente do Hospital Geral do Estado da Bahia, da Fiocruz e da Unifesp, instituições que irão apoiar a formação de quadros angolanos e promover a transferência de conhecimento técnico.
Entre as prioridades definidas pelo sector constam a introdução de novas técnicas e materiais para o tratamento de queimaduras, a formação de equipas multidisciplinares em centros internacionais de excelência, a realização de transplantes de pele, procedimentos de microcirurgia e cirurgias reconstrutivas, permitindo reduzir a necessidade de evacuações de pacientes para o exterior do país.
Relativamente ao Hospital Especializado em Queimados Presidente Julius Kambarage Nyerere, a ministra informou que a unidade dispõe de capacidade para atender casos de elevada complexidade, contando com áreas especializadas e cerca de sessenta e seis camas de cuidados intensivos, incluindo nove destinadas à neonatologia.
Sílvia Lutucuta alertou ainda para a elevada incidência de queimaduras em crianças e apelou ao reforço das acções de prevenção e da educação das famílias, com vista à redução dos acidentes domésticos e à protecção dos grupos mais vulneráveis.
Jornalista Malú Tavares