Morreu hoje o saxofonista António Manuel Fernandes “Nanutu”, aos 68 anos, segundo fontes familiares. O desaparecimento físico do músico representa uma grande perda para a cultura angolana, sobretudo para a música instrumental, área em que se destacou como uma das maiores referências nacionais.
Reconhecido pelo talento, versatilidade e forte ligação às raízes musicais angolanas, Nanutu construiu uma carreira de várias décadas marcada pela valorização da música instrumental e pela divulgação da cultura nacional em palcos internacionais. Considerado um dos instrumentistas mais internacionais de Angola, celebrou em 2025 os seus 50 anos de carreira artística.
Nascido a 23 de Novembro de 1957, no Sambizanga, em Luanda, António Manuel Fernandes adoptou o nome artístico de Nanutu. Antes, era tratado por “Nandinho”, alcunha atribuída pelo saudoso músico David Zé. Foi na Casa dos Rapazes de Luanda que começou a aprender música, iniciando-se na bateria, instrumento que tocou até aos nove anos, altura em que passou para o clarinete.
A sua trajectória artística começou em grupos musicais de Luanda, em 1974, tendo a estreia oficial acontecido no Agrupamento Aliança FAPLA-Povo. Ao longo da carreira, integrou igualmente conjuntos de referência como Os Merengues e Semba Tropical, antes de se afirmar definitivamente como saxofonista.
Em 1991, emigrou para Portugal, onde prosseguiu a carreira e aprofundou a formação musical. Frequentou o Hot Club de Lisboa, o Conservatório Musical da República Dominicana, em Santo Domingo, e o Conservatório Nacional de Havana, em Cuba. Durante este período, trabalhou com vários artistas nacionais e internacionais, tornando-se uma figura respeitada no universo da música lusófona.
Entre os trabalhos discográficos mais conhecidos de Nanutu constam os álbuns “Marés” (1996), “Kizofado” (2000), “Luandei” (2005), “Bisa” (2009) e “Ximbika” (2012), além de “Gato Vijú”, obras que ajudaram a consolidar o seu nome no panorama musical angolano e internacional.
Internacionalmente, acompanhou artistas dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) residentes em Portugal e nomes consagrados da música mundial, como Pablo Milanés, Luís Represas, Martinho da Vila, Simone, Daniela Mercury e Lecy Brandão.
A morte de Nanutu deixa um vazio profundo na música angolana, sobretudo entre os apreciadores do jazz, semba e música instrumental, géneros que o artista soube fundir com identidade própria e grande sensibilidade artística.
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