O Presidente da República de Angola, João Lourenço, dirigiu nesta quarta-feira uma mensagem à Nação em homenagem às vítimas dos conflitos políticos que marcaram o país entre 11 de Novembro de 1975 e 4 de Abril de 2002, defendendo a consolidação da paz, da reconciliação e do perdão entre os angolanos.
Na comunicação, o Chefe de Estado sublinhou que a reconciliação nacional “só é genuína” quando assenta na transparência, no reconhecimento dos erros do passado e na coragem colectiva de enfrentar a história do país sem esconder “a verdade dolorosa dos factos”.
João Lourenço destacou o trabalho da Comissão Interministerial para as Vítimas dos Conflitos Políticos, criada para localizar, identificar e entregar restos mortais às famílias das vítimas, permitindo a realização de funerais dignos. Segundo afirmou, centenas de ossadas serão novamente entregues aos familiares numa cerimónia de grande simbolismo para a sociedade angolana.
“O passado não pode ser apagado, mas deve servir de ponto de reflexão para prevenir os erros e crimes cometidos”, declarou o Presidente, acrescentando que falar sobre os horrores dos conflitos não deve continuar a ser um tabu, mas sim um exercício de memória colectiva e responsabilidade nacional.
Durante a mensagem, o estadista apelou à unidade entre os angolanos, defendendo que o perdão e o reencontro entre irmãos são essenciais para fortalecer a identidade nacional e impulsionar o desenvolvimento económico e social do país.
Num gesto de homenagem às vítimas dos conflitos políticos, João Lourenço anunciou ainda a decretação de um dia de Luto Nacional em todo o território angolano, a ser observado na sexta-feira, 22 de Maio.
O Presidente encerrou a sua intervenção com uma mensagem de esperança e reconciliação, considerando que o grande desafio da actual geração é restaurar a nação, curar as feridas do passado e renovar a esperança num futuro de paz, justiça e prosperidade para todos os angolanos.