O Serviço de Investigação Criminal (SIC) recebeu, nesta terça-feira, 25 de Agosto de 2026, por via de extradição da República Portuguesa, o cidadão nacional Fernando Nunes Correia, suspeito de integrar uma rede criminosa internacional envolvida em ataques cibernéticos contra instituições bancárias angolanas.
A operação resulta de uma investigação de elevada complexidade, iniciada em Janeiro de 2025, que permitiu identificar uma organização criminosa estruturada, integrada por cidadãos nacionais e estrangeiros de nacionalidades nigeriana, costa-marfinense, beninense e libanesa. Segundo o SIC, o grupo actuava com divisão de tarefas e tinha como alvo instituições bancárias em Angola e noutros países da região.
No decurso das investigações, foram identificados ataques consumados e tentativas de intrusão nos sistemas bancários, tendo a intervenção das autoridades permitido, em determinados casos, impedir a concretização dos crimes e preservar montantes significativos.
Fernando Nunes Correia, que exercia funções numa instituição bancária no município do Negage, província do Uíge, é suspeito de ter cedido as suas credenciais de acesso e introduzido um equipamento informático na rede interna do banco, criando condições para o acesso remoto aos sistemas da instituição.
O ataque, ocorrido em Janeiro de 2025, terá provocado um prejuízo superior a seis mil milhões de kwanzas. Após o ataque, o cidadão deslocou-se para Portugal, numa viagem alegadamente custeada pela própria organização criminosa, onde terá recebido a sua contrapartida financeira e continuado a colaborar no recrutamento de funcionários bancários.
Até ao momento, as diligências realizadas pelo SIC, através da Direcção Nacional de Combate aos Crimes Informáticos e do Gabinete Nacional da Interpol, permitiram a detenção de dez cidadãos, todos em prisão preventiva. As autoridades prosseguem as operações para localizar e deter outros integrantes da organização, tanto em Angola como no estrangeiro.
A extradição de Fernando Nunes Correia é apresentada pelo SIC como mais um resultado da cooperação policial e judiciária internacional no combate à criminalidade informática e financeira organizada. Cumpridas as formalidades legais, o cidadão extraditado será presente ao Ministério Público para os trâmites legais subsequentes.
Jornalista Siona Júnior (BUDA)