Conheci a história de um homem que passou a vida inteira a perseguir a riqueza. Acordava cedo, trabalhava até tarde e fazia contas até nos momentos em que devia descansar. Queria ter mais dinheiro, mais propriedades, mais prestígio. Acreditava que, quando alcançasse o próximo objectivo, finalmente seria feliz.
Um dia, conseguiu comprar a casa dos seus sonhos. Depois, o carro que sempre desejara. Multiplicou os negócios, aumentou a fortuna e conquistou o respeito de muita gente.
Mas, numa noite silenciosa, sentado na sua sala luxuosa, percebeu que tinha tudo aquilo que o dinheiro podia comprar, menos a paz que procurava.
Lembrou-se dos amigos que deixara de visitar, dos familiares a quem adiara um abraço e das pessoas que precisavam da sua ajuda, mas que nunca tivera tempo de escutar.
Naquela noite, uma pergunta perturbou-lhe o coração: «De que me serve conquistar o mundo, se perder a minha humanidade?»
Recordou-se, então, das palavras de Jesus na parábola do rico insensato: «A vida de qualquer pessoa não depende da abundância dos bens que possui» (Lucas 12, 15).
Compreendeu que o problema nunca tinha sido possuir riqueza. O problema era permitir que a riqueza o possuísse.
Ser rico não é pecado. Criar empresas, gerar empregos, investir, prosperar e proporcionar uma vida digna à família são objectivos legítimos. O perigo começa quando o dinheiro se torna um deus, o próximo se transforma num instrumento e a consciência perde o seu valor.
Zaqueu, o cobrador de impostos, compreendeu isso quando encontrou Jesus. A sua conversão não ficou apenas nas palavras: manifestou-se na decisão de reparar injustiças e partilhar os seus bens (Lucas 19, 1-10).
Não basta perguntar quanto acumulámos. É preciso perguntar quantas vidas melhoraram porque prosperámos.
A riqueza que não produz dignidade, esperança e solidariedade corre o risco de ser apenas pobreza disfarçada de luxo.
Portanto, a grandeza de um homem não se mede apenas pelo saldo da sua conta bancária, mas também pela paz da sua consciência, pela dignidade com que trata os outros e pelo bem que deixa no mundo. Porque o dinheiro pode comprar uma cama, mas não garante o sono; pode comprar uma casa, mas não constrói um lar; pode financiar uma festa, mas não compra a verdadeira alegria.
Ser rico é bom. Ser rico e humano é melhor. Ser rico, humano e capaz de transformar a vida dos outros é fazer da prosperidade uma missão.
Alcides Chivangu (chivangu.pro)