COMUNIDADES DAS LUNDAS DENUNCIAM ABANDONO E INDIFERENÇA DA INDÚSTRIA EXTRACTIVA

Reunidos em formato “Tchota”, “Ondjango”, como manda o costume “Lunda Tchokwe”, cerca de uma centena de representantes de comunidades da região das Lundas Norte e Sul falaram da sua relação com as indústrias de mineração.

Momentos do 2º encontro regional sobre mineração e sustentabilidade sócio ambiental, realizado na cidade do Dundo, capital da Lunda Norte e Saurimo, capital da Lunda Sul

Em uma visita de monitoramento e acompanhamento ao Projecto “Mineração e Vida” sob implementação da Comissão Episcopal de Justiça e Paz e Integridade da Criação, auscultaram-se realidades sociais que clamam por maior diálogo com actores governamentais e com as Próprias indústrias de mineração que operam na Zona. Desde logo a coabitação entre estes dois actores na partilha dos mesmos espaços de habitação e de exploração mineira, coloca sérios desafios a relação entre si. Para muitos, as empresas vieram perturbar a serenidade das suas comunidades, onde antes exerciam as suas actividades productivas sem as actuais cercas que as áreas de concessão hoje impuseram, fazendo limites nos acessos aos campos de cultivo, vedando igualmente o acesso a rios e a espaços comunitários para várias utilidades.

Para João Miguel, Membro da Comunidade do Mbuya, Mussolobela , a presença massiva de forças de protecção às áreas de exploração limitam a circulação de pessoas e reduzem a privacidade destas mesmas comunidades,  hoje abraços com barreiras para o exercício de actividades produtivas.

             Comunidades da Lunda Sul em encontros formativos  sobre direitos humanos e fundiários

As comunidades denunciam ainda a inclusão de drones para o controlo do garimpo artesanal…  Estes novos “abutres robóticos” vigiam dia e noite as comunidades e sobretudo retiram a privacidade das mulheres que banham em rios ….   De acordo com testemunhos ouvidos  “ As mulheres estão constantemente sob vigia dos drones mesmo por altura dos seus habituais banhos ao ar livre”, como acontece nas comunidades ruais…

O visível fraco investimento social na zona destapa um crescente descontentamento que as comunidades não escondem e consideram estarem à sua sorte sem que nem Governo nem indústrias se preocupem com o seu destino.

As Lundas produzem abundantes riquezas resultantes da produção de diamantes, os quais injectam uma porção monetária significativa no Orçamento Geral do Estado. 

Segundo o Jornal Expansão na sua edição de 13 de junho de 2025;

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